Eu confesso que estou decepcionada, desiludida e também aliviada. Finalmente eu entendi que as alfinetadas que venho sofrendo não são problema meu. Entendi que algumas vitórias que eu tive, que foram poucas perto do que ainda pretendo fazer, tem levado algumas pessoas a reagirem de maneira estranha. Compreendi que eu acabei projetando em algumas pessoas o melhor que há em mim e isso me impediu de ver o jogo que estão fazendo. Mas isso mudou. Eu agora vejo. Dói, porém é aliviador. Eu sei e isso é ótimo. Saber é libertador. Por que alguém projeta o que há de melhor em si nos outros? creio que tive medo da minha própria luz, não acho isso algo incomum. Talvez muita gente tenha esse medo. Quando finalmente não pude evitar essa luz, ela me assustou terrivelmente. Dei um passo para trás. Fiquei a olhá-la com a mão na testa fazendo sombra, protegendo os olhos mal acostumados. Mal acostumados por sempre terem à frente dedos apontados para a sombra. Mas a luz me veio de forma bela. Meu medo virou espanto, espanto já é começo de maravilhamento. Daí veio alegria, certeza, gratidão e fé. E então, as pessoas com os dedos apontados foram perdendo suas máscaras sem perceber. Mais uma vez, me assustei, me vi em alguns rostos. Exercício doido esse. Procurei em mim o que me incomodava no outro. Resolvi aquilo tudo em mim. Persiste no outro, mas não me incomoda mais. Ainda me incomoda o risco que corri e ainda corro, a necessidade de afastamento por segurando e por liberdade. Mas é incômodo que leva ao movimento e não à crítica. É leveza criativa. Novo começo desponta na minha vida. Muito trabalho e missões consideradas impossíveis, porém uma voz interna me diz alegre, resoluta e amorosamente: VAI! ok, estou indo.

