Eu confesso que estou deixando um passado distante e nem tão distante assim para trás. Deixarei em paz a pessoa que morou nos meus pensamentos por tempo além do necessário, do suportável. Continuar seria manter correntes imaginárias que tem efeitos muito reais. As correntes são imaginárias, a imaginação é minha, está nas minhas mãos dar um basta e é o que finalmente faço agora. Faço isso de maneira leve, como quem flutua depois de soltar peso morto. Acredito que isso gere uma energia que segura a outra pessoa também e isso não é justo. O que for pra ser meu, que me venha naturalmente. Aprendi que tudo que eu preciso forçar pra chegar não me pertence. O que é meu me chega naturalmente. E só pode chegar naturalmente aquilo que eu aceito. Se não me vem naturalmente, eu não aceitei. Se não aceitei, não posso viver, então é melhor que não me venha. Pois se me vem algo que eu não aceito, só serve pra criar uma energia de atração e repulsa, gerando confusão. Confusão é bom. Mas já passei pela confusão. Estou em outra fase. Acabou a tempestade, estou olhando a paisagem e posso ver o que já não me serve depois da confusão. Preciso arrumar a casa. Fazer um 5s em tudo. Jogar fora o que não serve. Limpar tudo, arrumar pra ficar com a minha cara, otimizar o processo, me tornar quem eu sou. Não posso esquecer do meu pedido. Ele está sendo atendido, tenho que fazer a minha parte, quero fazer. Assim, perdoo essa pessoa, de todo o meu coração, ela já não me deve nada. Solto-me. Que ela siga e eu também. Que possamos ser quem somos. Sou grata por tudo e isso fica. Tenho consciência de que fui útil. Sei que o benefício foi de mão dupla. Que sejamos benditas, que sejamos livres, que sejamos felizes.

