Oi gente! Tomei coragem de dizer pro Carlos que eu ia embora. Disse que a gente precisava conversar. Isso foi ontem na hora de dormir. Eu disse que ele era um amor, mas que eu precisava de um tempo. Ele se levantou e eu também. Ele perguntou o porquê. Eu disse que precisava de um tempo pra pensar, que não estava feliz… que eu ia pra casa de mamãe. Meu Deus. Ele começou a se alterar me pedindo uma boa razão. Eu disse que não estava preparada pra passar a vida assim. Que sou nova e que nós nos precipitamos. Que a gente casou porque meu pai o forçou, por ele ter tirado minha virgindade. Ele foi ficando cada vez mais alterado. Então virou discussão de verdade. Ele começou a jogar na cara que fazia tudo por mim, que só não fazia mais porque não pode. Que não deixava faltar nada. Começou a falar sem parar. Era umas meia noite e meia. Quanto mais eu pedia pra ele falar baixo, mais ele gritava. Eu comecei a ficar nervosa quando ele me agarrou, me dizendo que não era palhaço… todo esforço e dinheiro jogado fora. Aí começou a dizer que eu era imatura, uma criança… Gente… Eu disse… Eu estou grávida… Ele ficou mudo, se sentou na cama e, depois de um tempo, me olhou com uma cara de pavor, Gaguejando nas palavras, dizendo que… caramba. Ele ficou emocionado. Se levantou pra me abraçar. Aí eu disse… O Nelson é o pai. Nisso eu já fui saindo. Ele voltou a se sentar e não falou mais uma única palavra. Eu ia me arrumando, pegando a bolsa com parte de minhas roupas e ele nem se mexeu. Ele ficou do mesmo jeito o tempo todo. Nelson mandou um áudio perguntando se tava tudo bem. Eu disse pra ele aparecer no portão. Fui pegando as coisas e dando ao Nelson. Carlos nem se mexeu. Mas quando eu me despedi dele, pedindo perdão, ele partiu pra cima de mim, me agarrando com força e me sacudindo me chamando de ordinária, vagabunda, tudo que é nome. Tava machucando, quando Nelson invadiu a minha casa e foi pra cima dele. Eles brigaram. Eu só gritava pedindo pra pararem, mas já estava fora de controle. Parou uma patrulha no portão e os policiais interviram. Os vizinhos todos no portão. O caos total. Um guarda ficava conversando com Carlos e os outros dois, comigo e com Nelson. Perguntaram se iríamos pra delegacia ou se resolvíamos na boa. Durou uma hora mais ou menos. Bem… fiquei morrendo de pena do Carlos. É estou ainda… depois da tempestade eu fiquei na casa do Nelson. Dormi lá. Só dormi. Mas hoje cedo eu disse que queria ir pra casa de mamãe. Ele disse que não. Que era a minha casa agora. Que me faria muito feliz. Que seria o melhor pai do mundo. Até fez uma palhaçada pra me fazer rir. Hoje foi meu primeiro dia em minha nova casa, do lado da antiga. Ai ai… pelo menos acabou. Não sai de dentro de casa pra nada. O Nelson parece uma criança grande, jogando um tal de GTA. Ele e o irmão caçula é um mimo. Nossa! É tão bom poder botar pra fora. Agora vou ver minha novela.
Beijinhos.

