Eu achava que tinha o namoro perfeito. No começo da faculdade, conheci um menino lindo, muito lindo mesmo. Era talvez um dos mais lindos daquele campus. Loiro, magro, meio baixinho e um sorriso lindo.
O nome dele era Felipe e logo procurei fazer amizade com ele. Éramos de cursos diferentes, mas passamos a andar juntos com frequência e com o passar do tempo, não ficávamos separados.
Demorou um tempo até que eu tivesse coragem pra dizer o que eu queria de verdade, mas acabou acontecendo. Começamos a namorar e tudo parecia ótimo. Nosso namoro era meio convencional: Eu era sempre o ativo, Felipe o passivo. O sexo era bom, ao menos pra mim. Sou um tanto masculino, gosto de cuidar do corpo e faço academia todos os dias, logo tenho um bom físico, enquanto Felipe era mais "feminino" e delicado. Mas enfim, tudo só parecia ótimo.
Eu tinha um "amigo" chamado Saul que era desse mesmo campus. Sei que Felipe e Saul se conheciam antes mesmo de eu ter amizade com Felipe. Algumas pessoas me diziam que eles já tinham ficado, e alguns boatos até mesmo falavam que meu namorado era apaixonado por ele antes do nosso namoro. Nunca dei atenção a isso, mas deveria.
Fui notando Felipe agindo de um modo estranho e distante comigo. Logo comecei a desconfiar e fui atrás de saber o que era.
Não precisei procurar muito pra descobrir a causa. Dei um jeito de clonar o Whatsapp dele, pra entrar no aplicativo e dá de cara com mensagens trocadas entre ele e Saul. Eram mensagens muito picantes deles dois comentando como eram bons os momentos que passavam juntos e de quando se veriam de novo.
Meu mundo caiu por completo. Nunca me senti tão humilhado e rebaixado. E pior que isso, aparentemente quase toda a Universidade sabia do caso dos dois porque às vezes davam de cara com o casal de amantes em algum banheiro ou lugar afastado.
Eu, o corno, fui o último a saber, como sempre. A sensação foi de derrota completa pra mim. Nunca pensei que fosse passar por isso, e ainda mais com uma pessoa que eu amava tanto como Felipe. Mas era isso que eu era agora: O corno, o chifrudo, o humilhado, a piada. Virei chacota entre muitos alunos do campus com apelidos como boi, cornão, corno manso, e por aí vai.
Fiquei no fundo do poço por muito tempo. Acreditei piamente que a culpa fosse minha. Me senti uma merdinha de homem, uma bufinha, um nada, um bostinha com o pau minúsculo e pequeno, um incompetente que talvez não desse prazer da melhor forma ao meu namorado. Pensei que Saul tivesse um pau maior e mais grosso que o meu, que desse mais prazer ao meu namorado do que o meu conseguia e que por isso Felipe tenha preferido transar com ele durante todos os dias da semana em qualquer lugar que vissem pela frente, enquanto me ignorava dizendo estar cansado pra me vê. Isso ficava na minha cabeça igual o par de chifres enormes que eu levei. Minha masculinidade que eu prezava tanto e exibia sempre no nosso sexo, agora tava morta, assim como minha auto-estima.
Pois bem, o tempo passou e eu fui retomando minha rotina. Soube que o talarico Saul agora namorava sério com um cara, também chamado Felipe. Era um rapaz muito bonito, de olhos verdes, bunda arrebitada, e um corpo muito desejável. Não nos conhecíamos, mas passei a seguir ele no Instagram, e ele retribuiu seguindo de volta e curtindo algumas fotos minhas.
Algum tempo depois, dei de cara com ele na mesma academia que frequento, e quase não consegui tirar os olhos desse Felipe, que percebeu isso. Tempo foi passando e num certo dia, acabei indo no banheiro na mesma hora que ele, intencionalmente.
Puxei papo enquanto ele trocava de roupa e ajeitava o cabelo. Não demorou até esse Felipe notar que eu olhava muito pra ele, especialmente pra bunda. E em seguida fui encarado com um olhar de tesão. O que me motivava ali era a vingança de poder devolver o chifre ao cara que comia meu ex-namorado e se fingia de meu amigo.
Não desperdicei a oportunidade e logo procuramos um outro banheiro da academia que não fosse muito frequentado. Assim que achamos, comecei a beijar Felipe com muita intensidade e desejo, e ele fazia da mesma forma. Meu pau ficou muito duro só de eu pensar nesse momento virando realidade. Transamos, duas vezes seguidas, e fiz ele gozar três vezes. Continuamos fazendo isso todos os dias naquele mesmo banheiro ou em qualquer outro lugar, exatamente como Saul e Felipe faziam quando fui corno.
Mas o chifrudo agora era outro. Foi o meu momento, a minha vingança acontecendo. O melhor de tudo foi acompanhar a rotina do casal pelo Instagram e vê o corno do Saul no lugar que eu ocupava.
Eu e o Felipe conversávamos às vezes, e ele dizia estar muito insatisfeito com o namoro e pensava em terminar. O sexo era ruim e Saul não combinava com o que Felipe queria pra o futuro. E sim, perguntei quem de nós dois era melhor de cama e mais dotado, e segundo ele, eu sou muito melhor e tenho mais pegada e mais pau que o corno do namorado dele. Me senti homem de novo, senti minha masculinidade voltando com tudo sabendo que Felipe preferia ter prazer comigo do que com o chifrudo corno do Saul.
Hoje em dia nós ainda transamos porque eu gosto disso e pedi a Felipe pra não terminar ainda com Saul porque faço questão de descontar cada chifre e humilhação que eu sofri. Felipe ainda namora o chifrudo, eu tô solteiro e quero ficar assim pra sempre. Enquanto isso, o outro Felipe que era meu namorado se mandou pra outro estado.
Mas enfim, me vinguei. Continuo sendo corno, mas agora não sou o único.

