Eu confesso que a geração que experimentou mais paz,
liberdade, tempo de lazer, educação, medicina, viagem, cinema, telefones celulares e
massagens do que qualquer geração na história está aceitando a tristeza sem pensar. Parei
recentemente na seção de atualidades da livraria de um aeroporto e olhei as prateleiras. Havia
livros de Noam Chomsky, Barbara Ehrenreich, Al Franken, Al Gore, John Gray, Naomi Klein,
George Monbiot e Michael Moore, e todos argumentavam em maior ou menor grau que (a) o
mundo é um lugar terrível; (b) está ficando pior; (c) a culpa maior é do comércio; e (d)
chegamos a um ponto crucial. Não vejo sequer um único livro otimista.
Até as boas notícias são apresentadas como más notícias. Reacionários e radicais
concordam em que “escolha excessiva” é um perigo presente e agudo — que corrompe, corrói
e confunde, ao se encontrar 10 mil produtos no supermercado, cada um deles lembrando a
você seu orçamento limitado e a impossibilidade de satisfazer suas exigências. Os
consumidores são “esmagados por escolhas relativamente triviais”, diz um professor de
psicologia.26 Essa ideia data de Herbert Marcuse, que virou ao contrário a ideia de Marx de
“empobrecimento do proletariado” mediante o declínio contínuo dos padrões de vida de sua
vanguarda e argumentou, em lugar disso, que o capitalismo forçava o consumo excessivo da
classe trabalhadora.27 Isso ressoou bem no seminário acadêmico, levando cabeças a balançar
em concordância, mas é puro lixo no mundo real. Quando vou ao supermercado local, nunca
vejo pessoas levadas ao desespero pela impossibilidade de escolher. Vejo pessoas
escolhendo.

