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Gostava de poder chorar

Eu confesso que quero chorar e não consigo. Não posso e não consigo. Todos dizem que sou uma mulher forte, mas a vida quer a todo o custo fazer de mim uma mulher fraca.

Desde criança que me esforço para dar a volta por cima. Um lar quebrado, uma mãe que de mãe nada teve, uma infância solitária, uma juventude triste. Cerrei os dentes, sempre, e lá fui eu. Lutar mais um pouco, fazer mais um pouco, aguentar mais um pouco.

Estudo e trabalho. Já devia estar licenciada à dois anos, mas tenho de trabalhar para pagar a faculdade e a casa, então perdi um ano. Noutro ano estive tão doente, tão doente que se prepararam para o pior – venci a doença, mas outro ano perdido. Não faço drama sobre isso.

Não me importo de trabalhar. A minha casa é minha, a minha vida sou eu que sustento. O meu pai deu tudo por mim e está muito doente: não seria capaz de explorá-lo mais. Tem um ano de vida, se tanto. Quero mais é dar carinho e amor e apoio.

Não consigo confiar nas pessoas porque me magoaram e agrediram a vida inteira. Não tenho namorado porque não confio o suficiente para abrir a minha vida e o meu coração a um homem que provavelmente me irá trair ou magoar ou humilhar ou tudo ao mesmo tempo.

Tenho poucos amigos, mas amo-os de todo o coração. São os únicos que nunca me deram as costas e aceitam a estranha criatura que sou.

A outra pessoa que esteve sempre lá foi o meu pai.

O meu pai vai deixar-me e o meu melhor amigo também. Os médicos não conseguem mais ajudá-lo. A medicina não consegue salvar duas das únicas pessoas que me amam e eu amo.

Vou perder quem amo a dobrar.

Sinto-me sozinha. Muito só. As minhas costas vergam com um peso insuportável: viver para mim é cada vez mais pesado. Como se o mundo quisesse mostrar que não importa o quanto eu lute, eu nunca vou ganhar.

Vai-me espezinhar, espancar, humilhar, roubar o pouco que tenho, enlouquecer-me e ver-me destruir a pouco e pouco.

Se isso fosse um filme, nesse natal haveria um milagre. O meu milagre de natal. Mas se milagres de natal não existem, então ao menos que eu pudesse chorar!

Mas eu não consigo. Faz um nó apertado na garganta, os meus dentes cerram-se e as lágrimas nunca saem. Não saem mais. Se eu chorasse, talvez o peso no meu peito fosse menor. Mas até a capacidade de chorar me foi roubada.

As pessoas não entendem. Eu não sou uma pessoa forte: a vida é que me roubou a capacidade de ser pessoa.

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Escrito por Anônimo

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minha namorada vivi me dando bolo .

gosto do meu primo e agora?