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Grande culpa do passado

Eu confesso que não ajudei meu irmão na hora que ele mais precisou.
Faz 10 anos que perdi meu irmão. Ele tinha 16 anos na época.
Lembro que até pré-adolescência era um garoto divertido que vivia brincando na rua tinha muitos amigos…
Mas o os anos foram passando e aquele pequeno garoto foi se tornando cada vez mais reservado não o via mais com seus amigos e falava pouco. Não foi de uma hora para outro claro, porém quem o conhecia no passado via uma diferença crucial que aconteceu nesse período.
Nossos pais viviam focados no trabalho, eram empresários, e por isso quase não ficavam em casa. Eu que cuidava dele. Mesmo sendo próximos ele não me contava o que estava acontecendo. Eu tentava sonda-lo, mas ele nunca falava nada que poderia explicar aquela mudança. Com tempo achei que era da adolescência mesmo. Afinal como todos nós a quantidade de hormônios dessa época nos modifica, eu sabia disso. Por um tempo deixei de fazer tantas perguntas.
Com 15 anos ele permanecia da mesma forma. Pensando eu sou ouvia sua voz quando perguntava algo. Na metade do ano percebi que o comportamento dele estava mudando percebi alguns cortes em seu corpo também. Perguntava a ele oque tinha sido ele falava que tinha sido acidente. A partir desse dia comecei a observa-lo com mais atenção…
Recomecei com as perguntas insisti bastante, mas não resultou em nada. Falei com nossos pais e decidimos que ele deveria ir para um psicólogo
Ele foi sem nenhuma reclamação após algumas sessões o psicólogo me chamou. E falou que ele estava com inicio de depressão. Mas que toda aquela mudança tinha um motivo, mas ele não falava. E mesmo falando sozinho com o psicólogo ele mudava de assunto todas às vezes. O psicólogo me aconselho para não insistir se ele não queria falar com o tempo ele poderia perder esse bloqueio e falar com um de nós.
Um ano passou assim lembro que ele começou a melhorar. Continuava reservado, mas conversava um pouco mais. Eu perguntei se ele queira ter uma festa de aniversario ele recusou. Passou dois dias cheguei em casa mais cedo do trabalho. Ele já tinha chegado da escola, o que era raro. Não avisei que tinha chegado percebi que ele estava no quarto… Abri a porta e vi a cena que eu me lembraria pelo resto da minha vida. Meu irmão esta se esfaqueando eu tentei impedi-lo, mas já era tarde ele tinha se furado pelo corpo todo o ultimo foi no rosto o que o levou a morte. Eu lembro que grite o nome dele por muito tempo. Os vizinhos ouviram e chamara os médicos e a policia.
Eu mesmo contei para meus pais. Que ficaram completamente desnorteados. Os médicos e os policias liberam o corpo ao comprovara quem tinha sido realente um suicídio. O enterro eu posso lembrar como se fosse hoje, as lágrimas o cheiro das flores. Tão forte quanto o cheiro do seu sangue.
Quando o enterro terminou eu fui para seu quarto fiquei olhando as coisas dele os vários livros que tinha em seu quarto. Abri o livro que ele mais gostava. Ao abrir uma carta caiu no chão.
Comecei a lê-la lagrimas começaram a sair dos meus olhos uma dor tão grande que não sabia dizer em palavras… Nela ele falava um pouco de sua vida nesses últimos anos, mas oque mais me deixou triste a parte final da carta:
“… Eu sei que vocês perceberam toda a minha mudança nesses anos. Eu não podia falar a verdade. Porque ela é horrível, antinatural… nem deveria existir. Eu tentei mudar muito, mas foi inútil. Quando eu era bem jovem eu percebi que não me sentia igual aos os outros garotos, me sentia completamente estranho. Não sentia atração nenhuma nas garotas… percebi que cada vez mais meu interesse pelos meninos ia aumentando. Tentei reprimir ao máximo isso falar o mínimo que eu pudesse sair menos. Não ter amigos e ir apenas da escola para casa. Na tentativa de reprimir esses desejos comecei cortar meu corpo. Nem mesmo a dor não resolveu meu problema. Comecei a ter um ódio enorme por mim mesmo. Uma vontade tão grade de me matar…”.
“Mae, pai e principalmente meu irmão não se preocupem comigo foi melhor assim. Prefiro a morte a ter que envergonhar vocês. Em pouco tempo vocês se esquecerão de mim então não fiquem tristes estou apenas tendo o que mereço…”.
Ao ler aquilo entendi tudo que ele estava passando. Tudo que eu já tinha falado meu lado homofóbico impediu que ele falasse qualquer coisa… Eu não pude fazer nada… Ele precisou de alguém para lhe aconselhar, ajudar, no mínimo o escutar. Na carta ele ainda fala que não tinha contada a ninguém aquilo… Que nos não precisávamos preocupar ninguém precisava saber… Mostrei apenas para nossos pais que ficaram sem chão.
Hoje tenho família filhos, mas continuo lembrado do meu irmão. O pouco tempo de vida que ele teve tudo que ele passou… Todo o sofrimento. Tento ser o mais compreensivo possível com meus filhos. Agora não quero que ninguém nem meu pior inimigo passe pelo que eu passei ou pior pelo que meu irmão passou… De onde ele estiver tomara que esteja feliz… Em paz.

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Escrito por Anônimo

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