Eu confesso que ao longo da minha vida (tenho 45 anos) sempre me foi difícil ser fiel.
Confesso que apesar de ser uma mulher, basante feminina e muito maternal, tenho uma visão “masculina” da fidelidade.
Ou seja, sempre me senti uma mal amada, logo, vingo-me do meu parceiro tendo pequenas aventuras, daquelas que não duram mais do que uma vez, só por vingança, para me sentir apreciada, para provar que há quem goste.
Actualmente sinto-me completamente estúpida por o ter feito, principalmente pelas razões que o fiz.
Despois de um relacionamento maioritariamente mau, de vinte e poucos anos com a minha grande paixão (agora grande desilusão), continuo presa a não sei muito bem o quê…
Amor? … não; amizade? … se é isto ser amiga, prefiro os inimigos. Então o quê?
– Comodismo?
– Medo da solidão?
– Pena dos meus sogros?
– Receio da reacção da minha filha?
– Sentimentos que não sei definir, mas existem?
– Cobardia?
Faz-me uma grande confusão ser esta pessoa. O que me fizeram não está em questão, ele responde por ele e eu por mim. O que o outro fez não justifica a minha falta de dignidade, de escrupulos, de personalidade…
Como é possível partilhar o espaço com uma pessoa que desprezo a maior parte do tempo, que enganei, humilhei e a quem cobro, todos os dias a minha infelicidade?
Eu sou o garante de casa, a criada, a provedora.
Faço-o, revoltada, sinto-me explorada e usada, nada é natural, assumo tudo como um castigo.
Preocupa-me quando penso que esta situação é vivida, talvez por muita gente, que a vida é, demasiadas vezes, uma mentira.
Eu quero saír desta buraco fétido que é a minha consciência e a minha vida. Faço-lhes bem se os deixar?
Ficam melhor sem mim?
Eu sei que sentirei a falta deles, mas será que os mereço? Que me mereçem?
O que faço? Alguém pode ajudar?

