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invenção

Eu confesso que quando o cartão de crédito decolou na Califórnia, nos anos 1960, impulsionado
por Joseph Williams, do Bank of America, não havia nada de novo em comprar a crédito.10
Era tão velho quanto a Babilônia. Não havia nada de novo nem no cartão de crédito. O
Diner’s Club vinha emitindo cartões para a comodidade de usuários de restaurantes desde o
início dos anos 1950, e as lojas de departamentos desde antes disso. O que o Bank of America
conseguiu, especialmente quando emergiu como Visa do caos dos envios em massa pelo
correio no fim dos anos 1960, sob a reinvenção de Dee Hock, foi a democratização do
crédito. A possibilidade eletrônica de o cartão ser autorizado para uma compra em qualquer
lugar do país ou até do mundo foi um poderoso lubrificante da especialização e do comércio
na economia no fim do século XX, permitindo que os consumidores expressassem sua escolha
de tomar emprestado contra ganhos futuros quando isso fazia sentido. Houve, naturalmente,
irresponsabilidade, mas o cartão de crédito não levou ao caos financeiro, como muitos
grandes intelectuais temeram. No início dos anos 1970, quando os cartões de crédito eram
novos, políticos de todas as classes os denunciavam como daninhos, perigosos e predatórios,
pontos de vista compartilhados até pelos que usavam os cartões. Lewis Mandell descobriu
que “era muito mais provável que os norte-americanos usassem cartões de crédito do que os
aprovassem”.11
Isso capta muito bem o paradoxo do mundo moderno — as pessoas acolhem a mudança
tecnológica, mas a odeiam ao mesmo tempo. “As pessoas não gostam de mudança”, Michael
Crichton me disse uma vez, “e a ideia de que a tecnologia é excitante é verdade apenas para
um punhado de pessoas. O resto fica deprimido ou aborrecido com as mudanças.”12 Piedade
para a sina do inventor, então. Ele é a fonte do enriquecimento da sociedade, e, ainda assim,
ninguém gosta do que ele faz. “Quando uma nova invenção é proposta pela primeira vez”,
disse William Petty em 1679, “no começo, todos fazem objeções, e o pobre inventor percorre
o circuito de todos os sabichões petulantes.”13

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Escrito por Anônimo

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