Tenho 45 anos e uma irmã mais velha de 49. Meus pais tem 80 (minha mãe) e 83 (meu pai). Sou profissional liberal, casada, com situação financeira tranquila porém não definida e sem filhos. Não tiro férias pois não ganho nada para pagar minhas contas. Minha irmã é juiza federal. Sempre nos demos bem, mas devido à diferença de rotina, costumes e status social, somos um pouco distantes. Só nos falamos por telefone, raramente nos vemos. As amigas de infância dela são hoje mais minhas amigas. Meus pais estão muito velhinhos minha mãe tem Alzheimer e meu pai depressão. Eles moram próximos a mim e eu que dou todo suporte. Faço compras, faço as refeições, controlo os remédios, pago as contas deles, os levo no médico, cabelereiro, dentista, faço os passeios e cumpro meu papel de filha dando atenção e carinho que eles tanto merecem. Minha irmã diz que eu estou fazendo o possível e que eles estão bem graças a mim. Mas minha irmã vai ficando cada vez mais distante. Pouco liga para eles. Liga mais pra mim para perguntar como estão. Eu já não consigo mais atender as ligações dela. No máximo visita meus pais uma vez a cada mês e meio. Já briguei muito por causa ausência dela, por eu ter que resolver tudo e tomar todas as decisões. Ela diz que vai participar mais, que vai fazer isso e aquilo, mas no final não faz nada. Não adianta. Ela não vai abrir mão do estilo de vida dela para cuidar dos meus pais e para enfrentar a doença da minha mãe. Isso que ela foi filha preferida da minha mãe. Inclusive, a doença da minha mãe se agravou pelo desapego de minha irmã, mas disso eu não culpo minha irmã, afinal de contas, relação mãe e filhos é complicado às vezes. Enfim, estou no meu limite, talvez passando dele. Tenho problemas cardíacos e crises de ansiedade. Tomo remédio pra dormir e acho que a situação dos meus pais só tende a piorar, por mais que eu faça. Já acordo cansada.
Gosto de minha irmã, mas não tenho mais vontade de estar ou falar com ela. Ela sempre foi minha heroína, referência de vida, mas me decepcionei. O que faço?

