Eu confessor que nas duas noites seguintes nada de especial aconteceu; talvez a excitação que um fosse capaz de provocar no outro já fosse uma coisa dos tempos da “lua de mel”, quero dizer, talvez já fossem velhos parceiros. E ainda raciocinava sobre o motivo do aparente desinteresse quando o silêncio foi quebrado por um quase sussurro dela dizendo: – Vai querer? – Aí ele resmungou qualquer coisa que não deu prá entender e já ia tornar a dormir de novo quando ela disse: – Você só pensa em você, não é? Pode deixar! Daqui prá frente não conte mais comigo, seu frouxo! – Pronto. Foi o suficiente.
A luz da lua penetrava pelas frestas da veneziana e desenhava no teto uma grade em forma de losango espichado. As silhuetas diziam que ele se levantou, remexeu a mochila, demorou em conseguir abrir e vestir a camisinha, e tornou a se deitar. Mas ela não se movia, provavelmente emburrada por ter que “mendigar” por uma relação sexual. – Deixa disso “amorzinho” – Disse ele em tomo de última oferta nessa negociação. Aí ela se ajoelhou, a cama rangeu, passou a perna por cima dele (já estava pelada) ficou por um breve momento procurando o local exato de sentar, deixou escapar um ruído baixinho e prolongado em tom de magoada e pronto, pensei, já “vestiu-se” no pirulito dele. Confesso que a partir daí meu coração batia tão acelerado que parecia que iria sair pela boca. Como seria delicioso estar no lugar dele desperto do jeito que eu estava há pelo menos uma hora.
Meu coração, mesmo preparado para isso, disparou. Meu pinto até doía de tanta excitação. Tive vontade de saltar sobre a cama, dar um chega prá lá no sonolento, e ajudá-la a se vestir em meu pênis o mais rápido possível, mesmo que eu mesmo tivesse de tirar a camisinha do pirulito dele e vesti-la no meu. Tive de controlar o ruído da minha respiração para que não a ouvissem, já que nesse dia apenas ela respirava de modo trêmulo, mas pouco ruidoso. Ela precisava daquilo, coisa que as mulheres, no mais das vezes, dispensam, nem nunca tomam a iniciativa de procurar o homem. A não ser que precisem impressioná-lo por algum objetivo que não seja o sexo.
Até que a respiração dela denunciasse que já estava perto de gozar demorou bastante. Se ele dissesse qualquer coisa por certo ela desistiria, ainda que depois ficasse de mau humor por alguns dias. Mas ele sabia disso e ficou quietinho. Deve ter ficado pensando em algo ainda mais excitante para que o pirulito não afrouxasse. E aí ela começou a emitir sucessivos sons como: ããã ããã ããã e imaginei até que já estivesse começado a gozar com menos intensidade que da vez anterior (por ainda estar magoada com ele) mas me enganei. Aí começaram os aaaí! Aaai ! aaai ! e ela gozou até muito mais do que da primeira vez. Imaginei que, por estar aborrecida, ela fosse saltar de cima dele assim que gozasse, e me enganei pela segunda vez. Ela ainda ficou sentada um bom tempo sobre ele. Vez ou outra ainda se movimentava para cima e para baixo, como se estivesse querendo conferir se, de fato, estava satisfeita. Aí sim, enfiou uma calcinha por baixo talvez por força do hábito, já que ele não ejaculou, porque, no dia seguinte, a calcinha estava enrolada em outra roupa bem ali no armário, ao lado dela, junto com a bagunça de coisas de ambos.
Adormeceu quase que imediatamente. Nenhum ruído novo surgiu depois disso. Esperei para ver se ele, já com algumas horas de sono ainda acordaria pela madrugada disposto a fazer sexo com ela mas nada! Dormiram feitos dois anjinhos.

