Eu confesso que um jogo, inventado por Werner Guth no fim dos
anos 1970 e muito apreciado por economistas, chamado “Jogo do Ultimato”, que abre uma
pequena janela para dentro do espírito humano. Ao primeiro jogador é dado algum dinheiro e
lhe é dito para dividi-lo com o segundo jogador. Ao segundo jogador é dito que pode aceitar
ou recusar a oferta, mas não mudá-la. Se aceitar, recebe o dinheiro; se recusar, nem ele nem o
primeiro jogador receberão um centavo. A questão é: quanto dinheiro o primeiro jogador
deveria oferecer ao segundo? Racionalmente, deveria oferecer quase nada, e o segundo
jogador deveria aceitar, porque, por menor que seja a soma, a recusa só faz o segundo jogador
ficar em situação pior do que ao aceitar o dinheiro. Mas, na prática, as pessoas normalmente
oferecem perto de metade do dinheiro. A generosidade parece vir naturalmente, ou melhor, o
comportamento mesquinho é irracionalmente tolo, porque o segundo jogador irá — e fará isso
— considerar que vale a pena rejeitar uma oferta irrisória, quanto mais não seja para punir o
egoísmo do primeiro jogador.

