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Levaste o melhor de mim

Chegámos a esse horrível mês de Fevereiro. Não sei como me sentir. Hoje foi mais um dia que passei na cama em meu quarto escuro. Perdi minha vontade de viver.
Foi em Setembro de 2014 que engravidei, tinha 22 anos, uma relação de 3anos mas já com alguns problemas. Essa relaçao terminou ainda sem eu saber que estaria gravida, pois só soube da gravidez já no 3ºmês de gestação.
Agora eu estava feliz, tinha aquilo que sempre sonhara… ser mãe! Acreditava que esse filho viria por um motivo e que a reconciliação com meu companheiro era um deles. Estava tão feliz!!
Mas nem tudo era um mar de rosas. meus pais estavam a passar por uma crise no casamento. Sabia inclusive que meu pai andara com outras mulheres. O que nao me permitia uma gravidez estável. Foram muitas as noites que adormeci a chorar.
Os meses foram passando, por decisão minha não quis reatar logo com meu ex, queria que o tempo e este milagre que Deus nos concedeu fizesse com que realmente nos voltássemos a amar. Mas foi em Fevereiro de 2015, que ao descobrir que meu pai estava na casa de uma mulher, e descobrindo por portas e travessas onde era a casa, eu fui e fiz uma espera de 4horas, sentada num degrau de uma escada, gravida de 25semanas. Nesse dia por todos os motivos e mais alguns, o pai da minha filha achou por bem me levar no hospital para ter a certeza que estaria tudo bem.
Cheguei no hospital, eram 20h de sexta-feira, dia 13 de Fevereiro. Entrei numa sala e aguardei a medica. Realizei um ultra som, mas devido talvez à posição da bebe, não conseguimos ouvir seu batimento cardiaco. Fui encaminhada para a sala de ecografias, e enquanto esperava caí num choro desesperante. Algo não estava bem. mas dizia pra mim mesma pra parar com pessimismos.
Uma enfermeira me chamou. Ficou olhando atentamente para o computador enquanto me examinava. Nunca esquecerei sua expressão. Saiu à pressa, correu pra chamar a medica. Minha voz só repetia: "está tudo bem?", mas sem resposta. Por fim, olhando em meus olhos, a medica falou: "infelizmente não."
Minha menina tinha sido dada como nado morto.
Minha vida tinha acabado ali.
Corri para os braços do pai da minha filha, e me ajoelhei no chão pedindo perdão pra ele, e questionando Deus… Não precisei falar nada, ele compreendeu de imediato o que estava se passando.
Não estava preparada pra nada do que aí vinha. Sempre tive medo de ser mãe, questionava imensas vezes se seria capaz. Mas nada se comparou por aquilo que passei. Fui levada para a sala de partos onde estive 14horas, ouvindo maes gritando e bebes dando o primeiro choro. Nao desejo pra ninguem. Foi no dia seguinte, sabado, dia 14 de fevereiro (dia dos namorados em portugal) que depois de muito sofrimento psicologico, e onde as dores fisicas nao eram nada, que minha filha nasceu para o mundo de Deus. Nao consegui vê-la. Agora sim, eu sentia um vazio maior que tudo. agora sim, minha vontade de sumir era grande. passei tres dias no hospital.
ao chegar em casa foram os dias mais dificeis de toda uma vida. eu nao comia, nao dormia, so chorava. foram 3longos dias, até ter de ir fazer a parte mais dificil de todas elas.. enterrar minha bebe.
Pela primeira vez eu estou falando tudo isso, pela primeira vez eu estou sendo capaz de tratar as coisas pelos nomes.
Trombofilia, foi o que matou minha princesa, desde essa altura que me culpo, mesmo sabendo que nada poderia mudar, mesmo que tivesse sabido da gravidez logo de inicio.
Desde essa altura que estou sendo seguida por psicologa e psiquiatra, mas em dezembro passado, eu tive uma recaída e entrei em depressao profunda. Estive internada numa clinica, apos ter tentado suicidio.
hoje só peco a Deus que me leve.
nao consigo voltar a pensar sequer em tentar engravidar de novo. meu ex companheiro depois de tudo isso sumiu da minha vida. meus "amigos" desapareceram. as unicas coisas que me restam é minha familia que faz o que pode, e uma medicaçao gigante por uma doença que nao me deixa viver uma vida em pleno. Na tenho mais vontade de viver.
hoje eu confesso:EU QUERO MORRER!

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Escrito por Anônimo

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