De forma bem resumida, eu tenho visões bem tortas sobre a sociedade e as coisas do mundo, visões estas que eu sei que não são saudáveis alimentar e que implicam em comportamentos autodestrutivos. A começar que eu tenho uma tendência a me atrair por mulheres problemáticas, ao passo que tenho dificuldades de me relacionar com o sexo oposto. Sou marcado por timidez e introversão que decorreram provavelmente do bullying que eu sofria no Ensino Fundamental e Médio, unica e exclusivamente por eu ser minimamente polido e educado num ambiente cheio de chimpanzés abestalhados. Discorro sobre isso mais tarde.
A condição humana diante a existência resume-se a mediocridade. A espécie humana existe (anatomicamente) há 200 mil anos. Temporalmente falando, vivemos muito pouco e de forma completamente escrava das nossas demandas naturais.Somos mais animalescos do que podemos perceber, o antropocentrismo é um erro grosseiro que nos iludiu e nos vendeu a imagem de que valíamos e nos posicionávamos no cosmos de forma diferenciada das outras espécies que formam a ordem dos primatas. Com isso, acho um absurdo que continuemos alimentando um ciclo porco de manutenção da espécie. Se quisermos nos emancipar como homens, a medida mais racional a seguir é parar de se reproduzir. Jogar vidas no mundo e condená-las ao sofrimento e a ignorância unica e exclusivamente porque desejamos ter filhos para nos sentirmos mais "completos" e satisfeitos, em busca de sentido e propósito para nossa relés e curta existência no universo, não passa da maior manifestação de egoísmo possível, nos parâmetros da nossa racionalidade.
Um olhar mais atencioso pode perceber que inconscientemente culpo em parte meus pais por isso. Eu não pedi pra nascer e não sou feliz. Mas eles pensaram nisso? Claro que não. Meus pais são pessoas simples, ingênuas e em certa medida ignorantes. Embora pensem que não, embora de forma completamente arrogante, se achem elevados especialmente quando se comparam com pessoas de camadas sociais mais pobres. Foram eles que me jogaram no mundo sem sequer pensar que eu poderia não me satisfazer com isso. Eles nunca pararam para pensar em assuntos como morte, a pequenez da existência perante o tempo ou o fato de sermos acidentes da matéria. Eu me sinto mal e culpado por vê-los de forma tão pejorativa e destrutiva, eu os amo, mas é complicado.
Voltando ao tópico bullying na infância e adolescência. Hoje, com o que leio sobre neurociência é fácil compreender o que causava aquilo: os seres humanos agem maior parte do tempo por mecanismos que estão fora do seu controle, seus pensamentos e ações são orientadas por estimulantes químicos, hormônios e afins. Em adolescentes é muito visível o comportamento aproximado com os dos chimpanzés, macacos, babuínos e primatas em geral. Especialmente no comportamento em bando. Você sabia que quando os dois alfas na hierarquia do grupo estão em estado de tensão, eles agridem um babuíno mais fraco para descontarem a raiva? Agora pensem nos grupos de meninos valentões que se unem para castigar e azucrinar os meninos mais fracos da escola. Essa segunda situação você provavelmente viu acontecer, ou até mesmo participou, com quase 100% de certeza, eu sei que não vai ser difícil para você imaginar essa situação, pois ela é real e constante.
Durante muito tempo eu remoí isso. Guardei rancor e eu ainda guardo às vezes. Por infeliz coincidência, um dos meus bullies estuda na mesma faculdade que eu. O encontro pelo campus eventualmente. A questão é que eu não posso culpá-los agora depois de adulto, eles estavam seguindo o fluxo natural, as demandas que a mãe natureza lhes trouxe. Não é o mais inteligente que sobrevive, é o mais adaptado. Em termos racionais e conforme algumas teorias do direito, não podemos julgar e punir uma pessoa por um crime que ela sequer lembra que cometeu, especialmente quando estamos tratando de crianças de 14 anos, que era o caso na época.
Disso vamos para outra característica minha que é uma bosta e que me assombra constantemente: minha submissão. Até agora, as poucas vezes que tive um relacionamento afetivo era com garotas problemáticas (dois casos de borderline e um de síndrome do pânico) onde, minha satisfação residia no fato de ser humilhado, castigado e tratado como lixo. É na minha infelicidade que eu tiro meu prazer, minha vontade de poder. Isso me impede de ter relacionamentos normais.
Eu sou esperançoso, acredito que com mínima estabilidade profissional (tenho 21 anos, estou quase terminando minha graduação) eu consiga ocupar minha cabeça, sei que esses problemas não se resolverão (eu tenho problemas metodológicos sérios para com a maior parte dos psicoterapeutas que tentam tratar as pessoas agindo como qualquer idiota que pararia na rua para tentar te animar) mas que enfim, que eu possa encobrir esses problemas com a autossatisfação pessoal (viagens e conhecimento), sei que talvez eu não possa ter uma vida comum como as das outras pessoas. Mas eu só quero minimamente paz. Travo uma batalha diária contra as minhas convicções mais podres, isso me atormenta constantemente.

