Eu confesso que este depoimento não e meu mas repostei ele pois gostaria de ver a opnião de geral…
Primeiramente gostaria de dizer que fiquei impressionado com a quantidade de pessoas que tem
experiências parecidas com a minha…Muitos amigos me dizem que eu fico de “nóia” mas este
espaço prova o contrário. Assim sinto-me impelido a compartilhar a minha experiência com
esse doce veneno verde.
Tenho 22 anos, moro em Brasília. Pra quem não conhece a vida na capital, esta é uma porra de
cidade de funcionário público, com um classe média muito pequena, e ao mesmo tempo muita
diversidade, cultura, mas…sem porra nenhuma pra fazer. Então, a iniciação dos jovens aqui
é com a erva, e a quantidade de jovens maconheros aqui não é mole não! Com 15 anos
experimentei, no mesmo dia em que bebi a primeira vez…não deu nada..Já com 17 anos (2005),
iniciando o curso de sociologia da Universidade de Brasília, senti a primeira lombra: como
eu era, antes, um crítico severo da maconha, me impressionou a onda. Passei a fumar muito
esporadicamente, tipo um vez a cada dois meses…Até que, no terceiro semestre (2006), meu
irmão começou a fumar em casa, quase todo dia. Apesar de ele ser mais novo, começou mais
cedo, e, como nossa diferença é só de um ano e somos muito amigos, entrei na onda. Cara,
esse mometo foi o mais crucial no meu vício. Além de nossos amigos em comum também estarem
fumando quase todo dia (nessa época ainda era “quase todo dia”), eu fiz amizades com a
galera da Sociologia que fumava. Essa galera fumava só trolha bro, uma bombão antes de cada
aula. Mas outro evento marcante foi o filme GRASS. Pra quem não viu, ele conta a história da
ilegalização da cannabis nos EUA, bem contada, mas usa argumentos e entrevistas de
(pretensos) usuários, passando uma mensagem que poderia ser resumida assim: “fumar um é de
boa, qualquer crítica é interesse por grana ou hipocrisia, você pode ser um grande
profissional maconheiro”. Pronto. A partir daí, eu botei nessa minha cabeça sequelada que eu
fumaria vários por dia pelo resto de meus dias. Foram 2 anos assim, enquanto minha situação
na faculdade se complicava, parei de pegar mulher, de fazer amigos, de tocar. Putz, passei 1
ano sem compor uma música. E achava que era o cara, energia eu só tinha pra biritar. Me
envaidesci, não fazia questão de me socializar pois “eu sabia a verdade da libertação da
mente”. Ficava eu e meu irmão, os dois manés, com o olho caído, vendo discovery channel e
comentando como fulano era hipócrita-careta-mente fechada. E, com minha vida empacando,
mesmo assim eu botava a culpa em outras coisas, no curso, nas pessoas, na sociedade, na
cachorra, na mina, tudo, tudo menos na porra da marafa. Até que começaram algumas crises,
principalmente quando eu fumava sozinho. No início eu só ficava com a auto-estima baixa,
odiava as músicas que fazia (e que outros elgiavam), me achava incoveniente com as pessoas,
mesmo quando não era, etc. Até que, no ano passado, tive que me trancar no banheiro com medo
de me jogar pela janela. A partir daí eu refleti profundamente e notei como a maconha tinha
me tornado um vagal, anti-social ao extremo, incapaz de produzir o que mais gostava, que era
música e as ciências sociais. Sempre tinha sido o melhor aluno da classe em toda minha vida,
sem exagero, e eu era apenas um aluno medíocre e descompromissado na Faculdade. Tentei parar
mas, com um irmão que sempre tinha maconha e fumava na minha frente, não rolou de jeito
nenhum, pois tb estava pensando que seria fácil depois de 3 anos fumando 3-7 beks por dia.
Até que cheguei um dia para minha mãe, chorando que nem um bebê, pois não dava pra parar e
eu estava com sérias aflições psicológicas, eu estava todo dia só jogando video-game e
fumando, pensando: amanhã eu paro. Minha mãe sabia, obvio, e eu já tinha conversado com ela
na total franqueza, e tentou me apoiar o máximo. Entrei pra uma academia e marquei consulta
psiquiátrica. Furei a consulta e, aos poucos, desandei na malhação. Voltei para o ponto
zero, e quase tinha vontade de espancar meu irmão quando ele dizia: “isso é lombra tua, é só
ficar de boa”. Nesse momento que escrevo acabei de rever aquele filme GRASS, depois de 3
anos. Eu fui ingênuo, mas a pior estratégia é se massacrar. Eu fui um ser humano, eu sou um
que está a 2 dias sem fumar e, consequentemente, sem conseguir dormir. Mas é muito bonito, é
lindo ter um pouco de alívio para a cabeça, disposição para conversar, sair, trabalhar,
viver, sem me angustiar com cada mínimo aspecto da vida.Eu sei que esse negócio de parar aos
poucos não funciona comigo, pelo menos não na minha situação. Me vejo como um alcoólatra,
que não pode beber uma dose que já descarilha toda a penosa abstinência. Eu estou bem agora,
mesmo na fissa louca, mas sei que preciso focar ao máximo nisso, e por todos os lados:
praticar esportes, psiquiatra, corte temporário de amizades.
Gostaria de dizer aos que estão em situação semelhante que o esforço é válido, e, se sairmos
dessa, nos fortaleceremos frente à novas dificuldades. E que, infelizmente, para os Weed
everyday, parar de fumar significa mudar o estilo de vida, e isso significa perdas e
separações…mas novos ganhos e uniões!
Gostaria de dizer aos “coroas de 60 anos que fuma faz 30” que respeitem as fraquezas
alheias, pois a história de cada um com a erva é distinta
E, por fim, gostaria de dizer aos “mulek-doido de 17 anos que acha que maconha não é droga”
que marafa vicia, te abala e te empaca…o problema é justamente o efeito nem tão forte
dela, que te faz confundi-la com coca-cola e te faz fumar todo dia. não cheguem à esse
ponto, pelo bem de sua saúde mental.

