Eu confesso que Toda vez que ela toca nesse assunto é como se uma espada entrasse dentro de mim. Ela ainda acha que eu vou conhecer o príncipe encantado, mas deixa claro que nessa altura do campeonato ela já se contenta com um pedreiro. Sinto que o amor é incondicional, mas sinto que a decepção será imensurável. Mas poxa, eu já passei uma vida baseada em ser o que não sou. Como se eu vivesse com uma identidade diferente, como se fosse uma vida dupla. Ela vai achar que eu passei a vida toda enganando-a quando na verdade eu só queria poupa-la de um sofrimento que eu não pude mudar. Queria ser diferente, queria ser como todas as outras meninas da minha idade, mas eu não sou. E eu levei algum tempo pra aceitar isso e não espero que ela aceite repentinamente. A questão é que eu sinto como se algo me incomodasse desde o dia que eu disse sim para o meu eu verdadeiro. Sinto como se eu estivesse enganando, e um medo constante de a qualquer momento ser desmascarada. É algo que pode ser pequeno diante de outros problemas de tantas outras pessoas no mundo. Tenho tudo que eu quero, sou amada, tenho uma tv no meu quarto e ganho muitos beijos diariamente, da minha mãe. Ela faz tudo por mim, acho que é por isso que eu me sinto tão mal. Sempre fiz tudo conforme ela quis, não respondo, sou educada, tiro boas notas, dirijo dentro da lei, não bebo não fumo não uso drogas, tudo do jeito que ela sempre quis e sonhou pra mim, mas o fato é que EU SOU GAY MÃE. Gosto de mulher, gosto de uma mulher, que você acha que é minha melhor amiga, e você a ama também, mas não, ela é a mulher da minha via, com quem eu quero casar e ter filhos. Mas eu também te amo mãe. Mais que tudo nessa vida. Então me perdoe por não ser quem você queria que eu fosse.

