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Marcas da minha vida

Eu estava fazendo uma pesquisa sobre isso, tenho um trabalho pra apresentar sobre setembro amarelo e estou começando a pensar se me voluntariar para esse trabalho foi a melhor opção.
Eu tenho 16 anos e me machuco desde os 10 anos, seja com arranhões, cortes de faca, de vidro, qualquer objeto cortante que eu encontrava. Hoje em dia eu não lava mais a louça para não ficar perto das facas, não tenho apontador pois tirava a lamina dele, não tenho porta retratos porque os quebrava, mas alguns dias atras descobri o gilete, eu estava mal e só queria aquela sensação de alivio sabe? então a todo custo quebrei o gilete e retirei sua lamina, e foi uma coisa muito assustadora porque nem doía mais, eu abri seis cortes fundos e alguns superficiais, tive que usar uma faixa no braço e inventei uma historia bizarra que havia machucado no muro de casa.
Alguns amigos sabiam que não eram o muro e foi quando eu contei pra eles, nunca havia dito aquilo em voz alta, pra mim automutilação não era nada comparado as minhas tentativas de suicídio, que foram cinco nos últimos três anos, obviamente não tive sucesso em nenhuma delas, e acho que meu maior medo seria parar no hospital e ter que explicar aquilo pra minha família, pra eles depressão, automutilação, suicídio é frescura e nunca viram as coisas que eu fazia, as historias que eu contava sobre meus machucados eram totalmente irrealistas, mas eles nunca questionaram. Não é culpa da minha família se eu me acho fraca demais pra viver, mas eles não aceitam que eu queira procurar ajuda, não aceitam que eu seja bissexual, tenho que manter os padrões exigidos aqui, chorar no banho, lavar o sangue do banheiro e viver comprando curativos, usar blusas de manga comprida num calor de 30 graus, mas tudo pra eles tem uma explicação, a pior delas é " é só uma fase, vai passar", seis anos pra mim não é uma fase e conheci jovens que nunca fizeram isso, que depressão e suicídio pra eles é outro mundo e então percebi que não é normal que eu preciso de ajuda, mas eu tenho duas opções, procurar ajuda profissional, tentar viver como eu sou e perder toda minha família ou continuar lutando todos os dias e sorrindo para eles e continuar tendo uma família que as vezes me apoia.
eu estou guardando dinheiro porque daqui dois anos eu vou poder sair dessa casa e viver minha vida como eu quero, podendo amar uma mulher ou um homem, podendo procurar ajuda de médicos, mas eu não sei se consigo viver até la.

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Escrito por Anônimo

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