Eu confesso que destruí minha vida gratuitamente. Por favor, não me crucifiquem. Já me sinto mal o suficiente!!!
Tenho 23 anos, MÃE de TRÊS filhos. Engravidei duas vezes, mas o suficiente pra ter gêmeos na segunda gestação. Parece piada. Pra completar, são filhos de pais diferentes. Antes de pensarem que sou puta, não me considero uma pessoa promíscua. Perdi a virgindade aos 17 e tive dois namorados. Meu primeiro filho foi fruto de uma relação turbulenta com meu segundo namorado. Tomava anticoncepcional há mais de um ano, e devido ao esquecimento de quatro dias consecutivos de pílula (estava na casa dele devido a um desentendimento familiar e só lembrei da cartela no quarto dia), acabei engravidando. Fiquei louca, pois não usávamos camisinha devido a confiança no remédio, e ainda tomei uma cartela inteirinha por conta do desespero, mas não adiantou. E a jumenta batizada aqui não tomou pílula do dia seguinte. Tá certo. Lá estava eu, grávida aos 19 anos e, por incrível que pareça, meu ex teve a melhor das reações e assumiu nosso filho. Minha mãe viu ali uma oportunidade de me tirar de casa. Saí e fiquei com meu ex e nosso filho por um tempo, mas não deu certo. Queria MUITO estar perto da mãe que não me queria ao seu lado. No fim das contas, minha mãe me aceitou de volta com muita relutância, mas começou a se mostrar uma pessoa completamente insatisfeita com a presença de um bebê em casa. Resultado: a família paterna tomou as dores, minha mãe não queria meu filho debaixo do seu teto e ele foi morar com os avós paterno.
Nunca achei que fosse pedir demais ficar perto dela. Eu queria os dois: minha mãe e meu filho. Eu não pedia pra ela arcar financeiramente com os gastos do meu filho (o pai e a avó paterna davam tudo), tampouco pedia pra ela acalentá-lo. Afinal, sempre escutava o velho ditado "quem pariu Matheus que o balance". Nada mais justo. Devo admitir que se não fosse minha carência de mãe, talvez hoje eu ainda estivesse morando com meu ex e meu filho. Mas sou idiota e coloquei tudo a perder.
Resultado: depois de meses sofrendo, já desesperançosa de ter meu filho comigo, conheci o homem que fez eu me sentir o lixo do mundo. Aquele lobo em pele de cordeiro.
Era um cara que conheci no local de trabalho, mas só foi ter contato comigo depois que saí de lá. Ele "pegou" meu ponto fraco. Não me atraía fisicamente, mas tinha boa lábia e, aparentemente, compartilhava do mesmo problema que eu: ausência da filha que tinha com uma mulher. Quando descobri que o mesmo era casado quis me afastar, mas ele insistia em dizer que já estava se separando. Acho que pela fragilidade do momento, acreditei no que era conveniente a mim. Ficamos três vezes. Ele sabia que eu não estava tomando nada. Eu sempre soube que pílula do dia seguinte só funcionava duas vezes na vida. Na terceira vez que saímos, esclareci isso a ele e pedi que tivesse cautela, que ao menos fizesse coito interrompido. Em momento algum imaginei que um cara que já tinha uma filha e sabia que eu também tinha filho fosse cometer um erro tão grave. Não me insento de culpa, pois confiei na pessoa errada. Eu disse pra ele que com certeza eu ficaria grávida depois daquilo, mas ele riu e achou improvavel, exagero meu. Por coincidencia, descobri que meu plano de saúde já cobria o DIU. Já estava preparando os requerimentos pra colocar, quando me vem à mente a possibilidade de gravidez. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que esperava GÊMEOS. Definitivamente, não estava em meus planos. Me levei pela emoção do momento e levei a gravidez adiante, achando que tendo esses bebês me livraria do vazio existente em mim. RESULTADO: agora minha mãe se vê obrigada a arcar com as despesas pois o pai não ajuda (já coloquei na justiça), não posso estudar e nem trabalhar, pois NEM SEMPRE tenho babá pra ajudar com eles, não me cuido mais, não me sinto mais eu mesma. É um casal de gêmeos e acabei me apegando mais ao menino, pois projetei meu filho nele quando era mais novinho. Não consigo criar meus filhos em PAZ, sem minha família querer me punir e fazer eu me sentir culpada por tê-los tIdo. Minha mãe já teve a pachorra de sugerir que "eu desse ao menos um" quando eles eram mais novos. E meu irmão já sugeriu que eu os desse pra adoção. É até absurdo escutar isso quando na verdade também sou filha adotiva e só eu sei o que já passei, então não iria querer que meus filhos passassem pelo mesmo com pessoas desconhecidas. Você se sente um animal, parece que seus sentimentos não contam. Parece que duas crianças lindas são um peso morto pra minha família. Isso machuca demais. Esse vazio continua enorme dentro de mim e vivo me perguntando que tipo de ser humano idiota eu sou. Não tem um dia sequer que eu não pense nisso.
Enfim, era só um desabafo…

