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Me ajudem, eu não sei mais se sou uma boa pessoa.

Olá, primeiramente Guilherme não é meu nome real, mas decidi ocultar meu nome pois não sei se tenho conhecidos que visitem este site.

Eu quero confessar dois problemas que se manifestaram em minha vida, um recentemente e o outro há certo tempo.
Me sinto em dúvida sobre minha personalidade, pois há mais ou menos um ano e meio eu convivo com alguns colegas de sala que são bem mais avançados do que eu. Eles contam relatos de suas vidas pessoais com amigos e eu acabo escutando, porém isso estava me fazendo muito mal por um motivo que até hoje eu não sei, talvez por me sentir inferior ou ter inveja da vida daquela pessoa. O fato é que eu voltava da aula triste, pois ouvir aqueles casos me deixavam abalado seja lá qual a razão. O tempo foi passando, fui criando maturidade, mas esta situação continuava me afetando do mesmo jeito. Ver como meus colegas seguiam suas vidas namorando, pegando pessoas e comentando na aula (uma vez presenciei o caso acontecendo em uma festa e a pessoa dizendo depois), me entristecia de um jeito inexplicável por várias horas e isso estava dificultando muito minha interação social, pois ir em festas de aniversário ou da escola era sinônimo de ficar na bad durante o resto do dia, logo após o fim do evento. Cheguei ao oitavo ano, mesma coisa, nunca tive dificuldade para fazer amigos e logo me enturmei com a sala. Mas aquilo continuava, e nesta turma haviam variados tipos de alunos, como os que pegam todas e todos pois sua beleza é tanta que você nem acredita que eles tenham problemas na vida, embora uma de minhas amigas desta categoria de alunos tenha me provado que não é bem assim.
Há também os inteligentes, mas que em sua maioria são desprovidos de atrativos físicos, como eu, embora meu nível de inteligência seja mediano.
Existem os que dão pena só de olhar, pois com sua aparência e maturidade fica nítido que suas vidas são sofridas e não mostram sinais de melhora.
Também os nerds, não exatamente aquele modelo mostrado em filmes, mas os tipos de nerds que se interessam por jogos, animes, séries e etc mais do que os outros alunos, que têm coisas mais importantes para se preocuparem. Eu me encaixo neste grupo, acredito.

A questão é que nós crescíamos e, bem, começavam a aparecer situações que geralmente acontecem nesta idade. Eu presenciava um aluno considerado o mais bonito da sala (por ter um corpo daqueles modelos que a mídia sempre mostra) "brincando" com a amiga colorida quando ninguém da sala prestava atenção neles, o que até então era novo pra mim, e meio que me assustava pois eu não estava acostumado com este tipo de cena, principalmente com colegas da minha idade.
Após ver isso eu fiquei mais abalado ainda, era uma sensação horrível, talvez por eu ser BV e observar pessoas próximas já tão mais avançadas me provocasse um sentimento de inferioridade (não tenho certeza se era isso). Á medida que aquela situação se repetia, ia ficando mais fácil de observar, mas ainda me entristecia.

Me interessei por uma colega que combinava muito comigo e até viramos amigos um pouco próximos, mas eu já previa que não ia dar certo e eu acabaria por nem conseguir dizer o que sentia para ela depois de meses ou anos criando coragem, como já acontecera duas vezes antes.

No meio de 2017, quando eu ganhei uma jaqueta de couro da minha avó, passei a usá-la sempre quando ia para a aula. Antes de sair de casa a vestia e não tirava até sumir da vista de algum colega e já estivesse dentro de casa. Isso porque meu corpo nunca foi bonito, era gordo na infância por causa de um remédio que eu tomava para bronquite e também por gulosidade. Ele foi melhorando bem pouco durante os dois anos que eu comecei a percebê-lo como um problema, passei a parecer um falso magro, embora o peito ainda fosse visível por cima do uniforme e por isso eu usava a blusa de frio sempre na escola, antes de ganhar a jaqueta. Era inperceptível meu corpo quando eu a usava, e isso era uma enorme vantagem para mim. Eu sei que passava vergonha por usar jaqueta no calor de meio dia, mas sinceramente, eu não me importava. O calor não era nada insuportável e eu preferia a vergonha da blusa do que a vergonha do corpo, embora minha mãe tenha surtado algumas vezes por isso, até porque eu não disse pra ela o motivo de eu usar a blusa, por mais que ela insistisse. Já fazia academia desde o início de 2017 mas mesmo pegando pesado eu não via quase nenhum resultado.
O ano foi passando, mais coisas acontecendo, fiz duas novas amizades femininas que hoje são minhas melhores, isso nunca havia acontecido antes, e no quase final do ano fui na festa de aniversário de uma delas. Novamente, saí de lá me sentindo o menos relevante de todos ali presentes, e considerando que haviam umas 10 pessoas, provavelmente eu era mesmo. A aniversariante usava uma roupa com um decote na região dos seios que os deixavam meio visíveis, e isso, por algum motivo, me deixou mais abalado ainda. Não culpado por ter pensado por um segundo coisas indecentes com minha amiga pois isso é da idade, mas abalado mesmo. A mesma sensação das últimas vezes. No Natal eu fui para a cidade da família do meu padrasto, passar as festas lá. Conheci duas "primas" de consideração, já que minha mãe ficou noiva naquele dia e elas eram sobrinhas do meu padrasto. Uma com minha idade e outra um ano mais nova. Como eu me sentia um intruso no meio daquela família toda presente para as festas, fiquei triste denovo e voltei pra minha cidade assim como nas últimas vezes. Na virada de ano foi a mesma coisa. No início de 2018 e das aulas, estava no nono ano e me senti estranho pois quando era do oitavo, olhava para os alunos do ano seguinte e eles pareciam tão distantes, tão melhores do que eu, sei lá, me sentia inferior a eles. Mas agora que estava no nono eu me sentia exatamente igual ao ano passado, minha vida não tinha mudado para algo parecido com as vidas do nono anterior, meio óbvio mas eu queria ter certeza.
Entrou, entre os novatos, uma garota uma ano mais velha que a sala embora não tivesse repetido nenhuma vez, que era uma colega de infância.
Quis conversar com ela mas nossa intimidade havia se desgastado com o tempo, 6 anos que não a via. Acabei descobrindo por parte de alguns amigos que esta garota era uma pessoa de índole meio ruim, havia tentado roubar o namorado de uma colega, traído a confiança da mãe de forma mais séria, entre outras coisas. Fiquei arrasado por alguns dias, ela já era um pouco pra frente quando eu a conhecia, mas agora era uma insensível. Aquele clássico modelo "linda por fora, horrível por dentro". Foi uma grande tristeza pra mim, mas eu teria de seguir minha vida.

Então, veio o grande problema. Um dos motivos que me levaram a escrever este relato. Conversando com uma amiga, ela me disse de um caso que soube, de que aqueles dois amigos coloridos que ficavam brincando na sala haviam sido pegos pela mãe de um deles enquanto no ato. Eu comecei a tremer na hora enquanto lia as mensagens dela. Apareceu o assunto que eu temia mas não esperava que viesse tão cedo, virgindade. Não consegui e ainda não consigo olhar para aqueles dois colegas do mesmo jeito, parece que saíram da minha zona imaginária de conforto, onde todos estão na mesma situação que eu e se chocariam quando ouvissem coisas assim, embora eu saiba que isso não acontece e é apenas uma neura que eu criei pra me sentir menos pior. Agora eu estava horrorizado pois definitivamente havia saído da infância e não estava preparado pra isso, do contrário ter tomado conhecimento daqueles casos anteriores não seria problema.
Mas segui meu caminho. Consegui dizer para a garota que gostava sobre meu interesse por ela, mas falei logo em seguida que iria parar pois não estava sendo saudável pra mim. E não estava mesmo. Lógico que não se perde a paixão por alguém de um dia para o outro, mas agora ela sabia e eu não tinha mais o que esconder dela. Não afetou negativamente nossa amizade, por mais ilógico e positivo que pareça.
No último fim de semana que eu passei quase todo jogando, pois é uma boa forma de manter minha mente ocupada, tive uma pequena crise de tristeza e procurei no meu armário um estilete que ficava por lá. Eu nunca tinha me cortado, nem pensado nisso até aqueles últimos dias. Mas eu não pensei tanto, peguei o estilete e fiz um pequeno corte no braço direito, mas não no pulso. Não doeu muito e nem sangrou. Então fiz mais outro, outro e outro. Deram aproximadamente 17 no mesmo lugar, poucos sangraram e não foi muito. No dia seguinte consegui esconder os ferimentos de minha mãe antes de ir para a escola e de meus colegas por causa da jaqueta. Também os escondi de minha avó durante a tarde, mas eu sei que vão acabar descobrindo alguma hora, eu me feri e preciso lidar com as consequências disso quando alguém notar, sejam meus pais ou meus colegas. Agora a noite fiz mais alguns cortes, em outras partes do corpo, desta vez mais fáceis de esconder. Não foram muito profundos e não sangraram muito também. Talvez até sumam quando sarararem sem deixar cicatriz pois os cortes foram pequenos demais, eu acho. E também tem outro problema, o que insinua o título do relato.
Eu acho que estou fazendo esses cortes apenas pra chamar atenção. Durante a aula eu olhei as cicatrizes propositalmente para que alguém visse, embora eu não exatamente queira isso. Também não estava tão triste quando fiz o primeiro corte, apenas estava na bad e não tenho depressão. E agora nos segundos cortes nem triste eu estava. Usei uma lâmina de apontador desta vez. Pretendo fazer mais cortes e cada vez mais fundos, pois ficar igual a estas imagens de pessoas que verdadeiramente se mutilam por motivos reais talvez dê um sentido a mais em minha vida, que considero normal demais, e não me sinto adolescente por causa dela. Meu único motivo para ficar triste na vida é minha aparência física, pois minha família me ama e é muito atenciosa, tenho muitos amigos, mas infelizmente tenho uma sensação de suposta inferioridade quando vejo pessoas tendo sucesso em sua vida amorosa, o que me lembra bastante a inveja. E agora estou me cortando não tenho certeza do por quê.
Acho que sou um babaca mimado que busca desesperadamente por atenção, e só estou me dando conta disto agora. Se alguém já passou por isso por favor me ajude, eu não acho situação parecida na internet e nem na vida real. Só quero saber o que eu tenho e que tipo de pessoa eu verdadeiramente sou.

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Escrito por Anônimo

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