Eu confesso que apesar de casada me sinto sozinha. Tenho 23 anos e me casei há três anos, tenho um bebê de um ano, faço faculdade de manhã e dedico o meu dia ao meu filho. Não tenho amigos onde moro, pois estou muito longe da minha cidade, e não quero trabalhar nesse momento pois pra mim é muito difícil ficar longe do meu bebê, eu quero aproveitar e participar de cada conquista desse momento tão especial da vida dele. Mas eu não me sinto mais amada, não importa o que eu faça, o meu marido me tem como sua empregada, e não me ama mais, ele só me enxerga quando saímos na rua e ele percebe que embora eu seja invisível pra ele, os homens ainda me veem. Eu sou bonita, atraente e procuro me cuidar pra estar bem comigo mesma, mas estou muito triste pois eu sei que aos poucos vou deixando de amar o pai do meu filho, e eu queria tanto que fôssemos uma família, queria dar essa oportunidade ao meu filho, de poder cria-lo em uma família unida, que se amasse, e quem um dia jurou me amar, e jurou cuidar de nós dois quando soube que eu estava grávida, hoje me trata como um objeto, não me ajuda em nada em casa, não me ouve, eu cansei de tentar conversar, de brigar, e hoje eu respiro fundo e vou chorar escondido, porque depois de acordar as seis da manhã para estudar, cuidar de toda casa sozinha, do bebê, ele chega com os pés sujos, joga roupa pela casa toda, amassa as roupas que passei e ainda pergunta se o jantar está pronto, pois ele está cansado e eu não fiz nada o dia todo. Vão me perguntar porque eu não me separo, não tenho para onde ir, não tenho família, mas estou estudando e muito, e quando me formar, estarei ganhando o suficiente para ter o meu cantinho, meu e do meu filho, meu maior medo é só que ele não queira ficar comigo, pois tudo que eu aguento calada hoje, é pra ver ele feliz amanhã. Eu poderia sair de casa com ele, e não aguentar mais humilhações, mas eu teria que alugar um quarto, ficar longe dele o dia todo pra trabalhar, chegar em casa cansada onze da noite ou mais, deixar ele com estranhos, privar ele do conforto e do carinho que ele tem sendo tão pequeno, ou poderia deixa-lo com o pai e ir embora sem olhar para trás, eu me livraria do crápula do meu marido e estaria livre, mas que mãe eu seria se fizesse isso com ele? Como poderia viver melhor e mais feliz fazendo o meu filho sofrer? As vezes só o tempo resolve as coisas, e eu sei que ainda encontrarei alguém pra me fazer feliz, que aceite o meu filho e que o ame como o pai que a ele só cedeu os 23 cromossomos não o ama.

