Eu sou um erro. Me sinto um lixo por tudo que sou e faço, ou por tudo que deixo de fazer por ser um lixo.
Eu sempre fui assim, um lixo. Quando eu era criança eu não tinha tantos problemas em me relacionar com as pessoas, mas eu sempre fui uma gordinha horrorosa. As minhas notas sempre foram boas, e por vezes eu fui a melhor da turma, mas agora há sempre melhores do que eu. Essa coisa de ser a melhor da turma despertou o meu orgulho, e hoje eu sou uma gorda orgulhosa. Há 3 anos atrás eu fui no psiquiatra e ele disse que eu tinha fobia social. Eu lembro que eu era bem tímida e com o passar do tempo sinto que eu melhorei em muitos aspectos, mas eu estou cada vez mais tímida. Eu parei de tomar os remédios, realmente, acho que eles nem funcionaram (acho que era fracos demais). Um tema que eu filosofo bastante é a ignorância das pessoas. Duas palavras que todos os dias passam pela minha mente é ignorância e desprezo. Com muita dificuldade eu fiz alguns amigos ao longo do tempo e por vezes me senti inclusa em um grupo (parcialmente inclusa), então eu conheci uma pessoa maravilhosa que eu me identifiquei bastante, a única que posso chamar de minha amiga. Com ela eu reflito todos os dias sobre a ignorância das pessoas e as situações de desprezo. Esses são os meu temas "primordiais" porque eu enfrento isso todos os dias. Todos os dias eu saio de casa para ir à escola (aquela maldita escola) evitando ser ridicularizada por medo do desprezo dos outros. Eu identifico até um possível olhar de desprezo e sofro muito. Um olhar de desprezo é o que basta para acabar com o meu dia. Eu tenho consciência de que todo mundo que tem fobia social ou complexo de inferioridade é muito negativo. Qualquer coisa que aconteça é mal interpretada e faz a pessoa sofrer, mas eu não consigo me livrar disso. A única coisa que eu faço é me oprimir. Eu abaixo a cabeça pra todo mundo, concordo com tudo que dizem, eu nem olho nos olhos das pessoas pra falar com elas… e eu nem sei porquê eu faço isso. É contraditório, pois são esses comportamentos (como não olhar nos olhos das pessoas) que eu considero como algo digno de desprezo. E eu, por medo do desprezo, não deveria agir de forma contrária? Eu não deveria me impor e questionar? Eu não entendo isso. É muito difícil pra mim andar com a cabeça abaixada na rua por vergonha da minha cara e da minha testa horrorosa. Eu odeio conversar com aquelas pessoas que conversam olhando pra tua boca ou reparando os gestos que você faz com as mãos, EU ODEIO GENTE REPARADORA! Eles me oprimem. Eu me sinto uma merdinha conversando com gente que tem personalidade forte porque eu sempre concordo com tudo, e não, AS PESSOAS NÃO GOSTAM DE GENTE QUE CONCORDA COM TUDO, AS PESSOAS GOSTAM DE GENTE QUE CRITICA, GENTE QUE QUESTIONA E EU QUERO SER ASSIM! Eu quero falar com as pessoas olhando na BOCA delas, eu quero impor RESPEITO. Percebe-se que todas essas pessoas que sabem se expressar são sempre admiradas e tem muito prestígio em tudo que fazem. Eu quero ser assim. Mas eu sei bem que essas pessoas de personalidade forte são muito alvo de inveja e consequentemente de pessoas reparadoras. Primeiro de tudo eu tenho que me aceitar como sou e parar de me importar se tem alguém me reparando, olhando pras minhas mãos enquanto eu falo, ou olhando pra minha boca, porque pessoas de personalidade forte não se importam com isso, isso não é opressão pra eles. Pessoas de personalidade forte não são oprimidos, eles oprimem.
Eu passei por uma época da minha vida em que eu estava muito sensível e eu tinha empatia demais por todo mundo. Eu não conversava olhando pra boca de alguém (por exemplo) porque eu pensava que talvez a pessoa se sentisse mal com isso, então eu não fazia. Acho que essa "empatia" foi o ápice de tudo isso.
Eu sei que eu sou muito inteligente e lógica, e eu sei que eu sou capaz de liderar um grupo. Quantas vezes eu fui liderada por pessoas que eu julguei incompetentes e que só estavam ali por causa da porra da personalidade forte??? As minhas ideias era muito melhores do que a deles, mas elas só ficavam na minha mente, eu não as expressava. Eu sempre tive medo, mas eu nunca soube do quê. Como eu disse, é tudo contraditório. Eu não quero mais ser oprimida, eu não quero mais ter esse jeito ridículo. Eu mesma me oprimo, me desdenho. Eu não quero mais isso pra mim. Eu também não quero mais ter empatia por qualquer um, eu to crescendo e a vida ta exigindo isso de mim. Universidade, trabalho, uns pisam sobre os outros. A escolha é: sofrer ou fazer sofrer? Eu realmente refleti muito sobre essa pergunta e eu cheguei a conclusão de que eu já sofri demais, e assim como muitos não se importam, eu não me importarei, e eu opto por fazer sofrer. Esse "fazer sofrer" não é um termo muito correto, pois já que a maioria das pessoas são ignorantes, elas nem ligam muito. O sofrimento dessas pessoas é só perder a mãe ou o pai, o resto é frescura. Mas tudo bem, eu só quero ser respeitada, não preciso ser a melhor, mas quero ser alguém. Não quero ser o centro das atenções, mas quero ser notada. Eu to perdendo muitas oportunidades da minha vida por causa desses problemas. Essa semana mesmo perdi a inscrição de uma prova, por medo de ir sozinha ao local… Ano que vem eu vou prestar vestibular pra medicina, quero ser psiquiatra, eu não posso deixar isso me prejudicar mais.
Eu espero mesmo que tudo isso acabe um dia.

