À princípio, por meio das dificuldades que me cercam, costumo afirmar que elas só me fortalecem e me ensinam. Jamais deixo-me invadir pela tristeza das depressões que me cercam… Mas há momentos em que até o mais forte dos seres humanos precisa gritar tudo aquilo que intorpece e restringe sua vontade de querer ser feliz e pleno.
Eu me chamo de Nômade, pois não possuo um lar… Um lugar para chamar de meu, ter com quem compartilhar segredos e desejos, todos alinhados à loucura. O lugar em que me encontro, fica à milhares de km de distância da onde eu considerava meu lar. Meu verdadeiro lar. Minha vinda ocorreu de uma forma boa, apesar das circunstâncias em que me encontrava no lar. Meu pai e tio desempregados, vivendo nós todos em função da pensão de minha avó, que era menos que um salário mínimo, mas apesar de tudo, eu era muito feliz. Não tínhamos oque comer muitas vezes, mas possuíamos fé. Aquela que é a mola propulsora dos milagres e da vida, era nosso pilar central, e jamais abandonávamos a diversão que se fazia cada vez mais presentes nos momentos de angústia. Realmente a felicidade para alguns é apenas estar ao lado de quem se ama, e como eu amo minha vó e meus pais.
Após um tempo mudei para são Paulo, onde iria viver com minhas tias (que são um casal), ainda mantendo comigo a angústia de deixar minha Familia, sem poder fazer nada pelos mesmos, pois não possuo meios…sou apenas uma criança desamparada, que possui dilemas e desafios, sonhos e ainda um fio de esperança. Mudei-me aonde estou até o momento, passados 7 meses que aqui me encontro, meu refúgio é somente na escola, onde encontrei anjos que abençoam meus dias, me distraindo de minhas tristezas. A casa em que vivo não é má, mas também não é perfeita, vivo em um piloto automático todos os dias, e meu momento de liberdade é na escola. Eu não consigo ser eu mesma nesta Casa, tampouco tenho qualquer intimidade com as pessoas aqui…vivo perdida, pois esse não é meu lar, e por mais que eu tente, não é possível ter qualquer relação ou afinidade com as mesmas. Cada um possui sua maneira de ser…e eu nasci pra observar os outros sendo os outros, enquanto que eu não posso ser eu… Eu penso muito à respeito de tudo, engulo muitas coisas pelas pessoas que sei que não valem o esforço, mais eu só quero paz as vezes…e isso as pessoas que convivem comigo não entendem…porque eu não gosto de incomodar, guardo minhas mágoas para mim, escuto aos outros, mas não permito que façam o mesmo comigo…e isso acaba por complicar meu subconsciente e outras coisas… Por isso me perco nesta confusantr confusão que é minha vida e meus pensamentos… Não consigo me aproximar das pessoas que quero que gostem de mim, me esforço para fazer as coisas certas e sou tachada de santinha, daí começam os pensamentos errôneos à cerca do meu caráter, e vão crescendo sem que eu saiba. E no final, as pessoas que convivem aqui comigo acham que estão fazendo um julgamento correto de mim, sendo que a idéia generalizada de algo não é prova de sua validade… Eu estou perdida, eu tenho sonhos, os quais sei que terei de realiza-los por conta própria…mas é difícil…não tenho ninguém… Tenho Deus, mas ele diz "faz da tua parte, que eu te ajudarei"… Constantemente eu tento me segurar para não me atribular com pensamentos ruins, pensando no quanto uma de minhas tias não gosta de mim…ela tenta mais percebo que ela é seus dois filhos não conhecem-me verdadeiramente à ponto de me discriminarem entre eles e mentalmente. Minha outra pobre tia, ama a primeira e fecha os olhos para tudo oque a outra é os filhos fazem… As críticas dirigidas à mim são bem vindas, suas exclusões de mim também… Um dia eu espero que me reconheçam, por detrás da pessoa introvertida, retraída e desligada que sou quando estou com elas..pois não imaginam que isso é apenas um subproduto da minha verdadeira aura, que se encontra tão ferida pelos acontecimentos do passado, que não é capaz de demonstrar à qualquer um sua verdadeira face. Vou continuar oferecendo alegria e amor até mesmo para as pessoas que não precisam, afinal, nada deixa as pessoas mais solitárias do que os próprios segredos.

