Sob uma ótica naturalista darwiniana, mentir e enganar o próximo sãornpropensões universais e inatas do animal humano — mecanismos de sobrevivência ernreprodução tão naturais quanto, digamos, transpirar e cortejar. O repertório do engano nornmundo natural não humano é apenas o preâmbulo do épico farsesco que está por vir.rnO grande problema do enganador é que ele não está sozinho no mundo. Como todarncriança logo começa a se dar conta à medida que vai ensaiando e testando contra os pais suasrnprimeiras mentiras, ninguém gosta de ser enganado contra a vontade. O risco de ser pegornexiste e a punição pode ser severa. Para lograr sucesso, o enganador precisa que os outros lherndêem crédito, ou seja, é fundamental que eles acreditem em sua palavra e nas intenções quernprofessa. O seu verniz de credibilidade e honestidade não pode apresentar falhas ou rachadurasrnsuspeitas visto que, como dizia Protágoras reportando-se à pressão exercida pela comunidadernsobre o cidadão da pólis, “qualquer um que não professe ser justo só pode estar louco”.2rnMentir é uma arte.

