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Meu medo

Eu me sinto completamente inútil. Eu não consigo cuidar do estúdio e, mesmo quando conseguia, sempre achei que o meu máximo era medíocre.

Mas aí minha mãe quase morreu, e foi um baque. Duas semanas depois, minha avó morreu, e esse baque foi muito maior do que eu esperava, porque eu nunca tinha sido muito próxima da minha avó. Mas, no final, isso me gerou um trauma que eu não percebi.

Comecei a ter mais medo do futuro do que já tinha. Quando eu não sabia o que iria acontecer, eu ficava ansiosa, frustrada, mal e muito paranoica. Eu não tenho muito apoio na minha vida real. Tenho um único amigo e parentes, mas honestamente eu não sou a pessoa mais próxima da minha família.

Agora minha mãe teve que fazer outra cirurgia, o que já me deixou muito ansiosa, mais do que o normal. Comecei a ficar paranoica. Achei que tinha gente na minha casa mesmo estando sozinha. Tinha medo de monstros que nem sequer existem e, mesmo se existissem, nem são desse país. Fiquei com medo de futuros pós-apocalípticos, de histórias infantis, e cheguei a um cenário onde um homem invadia a minha casa e me matava.

Os remédios não adiantavam muito, mas eu conseguia dormir. Tarde, muito tarde, mas dormia.

Agora a cirurgia que minha mãe fez teve uma complicação no pós-operatório. Nada muito grave, mas também nada sutil. Algo que não é comum, um pouco raro, porém ainda consegue ser comum o suficiente para os médicos estarem preparados para isso.

Mas ela ainda foi para a UTI.

Bom… a cirurgia foi grande, aberta, um corte vertical que pega 80% da barriga. É óbvio que ela iria para a UTI, qualquer um iria, mas isso me assusta.

Eu estou com medo. Muito medo.

Medo do futuro. Medo de ter que planejar me sustentar sozinha. E eu sei que não vou conseguir.

Eu tive boas notícias. Ela teve uma pequena melhora de ontem para hoje, mas ainda estou com medo.

Se algo acontecer, eu não vou ter escolha além de me matar, porque eu não tenho como me sustentar sozinha.

Eu ando pensando no que fazer. Se eu dou a minha cachorra para alguém de confiança e me mato, ou se eu mato ela primeiro e me mato depois, porque eu não quero que a minha cachorra sofra sentindo minha falta ou achando que eu a abandonei.

Porque ela é a coisa que eu mais amo no mundo.

E, sinceramente, não sei se teria coragem de fazer qualquer uma das duas opções com ela. E nem se eu conseguiria.

Mas eu estou pensando nisso.

Porque eu estou com medo.

E esse medo piora porque eu sou ateia, mas as pessoas não param de falar para eu orar, pedir a Deus, pedir apoio no divino.

Mas eu não acredito no divino. Não acredito há anos.

E, para mim, não faz sentido.

Mas eu queria acreditar. Ter fé em algo ou alguém poderoso o bastante para me dar paz. Ou um milagre, talvez.

Mas se eu fizer isso não vai passar de um fingimento da minha parte.

Eu não quero fingir.

Se for para pedir, quero que seja real.

Mas eu não consigo.

Queria conseguir.

A cada hora que passa, mais medo eu sinto. Mais ansiosa eu fico.

E não tem remédio que faça eu me acalmar.

Eu estou com medo.

Talvez eu não volte mais.

Acho que seria melhor assim.

Eu não sou boa gerindo isso aqui. Não sou a melhor. Não sei fazer nada, honestamente.

Eu estou escrevendo porque eu não sei falar.

E também não sei escrever.

Então, se você está lendo isso, saiba que apesar de eu realmente ter escrito, isso foi estruturado e organizado pelo ChatGPT, porque nem um desabafo eu consigo escrever.

Eu não sei o que fazer.

Não sei o que sentir.

Eu tenho medo de sair da minha rotina e algo dar errado porque eu saí da minha rotina.

Eu quero um abraço e, ao mesmo tempo, não quero.

Porque se alguém me abraçar, eu não vou aguentar e vou desabar.

E eu não posso cair.

Não posso desabar, porque não tenho quem me segure.

Se permitir cair é um luxo que eu não posso ter.

Eu estou desempregada. Não tenho renda e sou um peso financeiro para os meus pais.

Estou procurando emprego, mas um trabalho para uma mulher autista, que não tem experiência, em um interior que mal chega a 19.000 habitantes é complicado.

A maioria nem paga um salário mínimo e boa parte ou tem um patrão ruim, nível babaca, ou é basicamente uma escravidão em que você recebe 500 reais por mês.

Muita gente me cobra para fazer um curso, mas eu não tenho dinheiro para isso.

Nem para EAD.

Eu coloquei um piercing e estou com medo dele expelir.

Estou com medo de muita coisa.

E não tenho com quem falar.

E mesmo se tivesse, eu não saberia como.

Eu só não sei o que fazer.

Soxs, se por acaso você ler isso, me desculpa.

Você está tomando conta do estúdio todo e dando o seu melhor, e eu nem consigo te ajudar nem te recompensar por isso.

Sinceramente, você merece.

Eu não falo, mas você é realmente o melhor no que você faz.

E, se eu não voltar, por favor, cuida do estúdio para mim.

Você alcançou marcos com esse estúdio que eu só sonhava.

Então, por favor, continua.

Você é bom nisso.

Muito bom mesmo.

Eu não sei nomear todos os dubladores que tem no estúdio, mas para vocês eu só digo obrigada.

Sem vocês esse lugar não seria nada.

Vocês são tão talentosos que, sinceramente, me deixam orgulhosa mesmo sem conhecer vocês.

Alguns eu conheço.

A Sky, o Nox, o Soxs, o Gelouco, o Barril, a Koko, a Sunshine, o AG, a Definitiva, a Eva.

Todos vocês são tão importantes para mim que eu não sei nem o que descrever.

Mesmo que eu não seja muito próxima de alguns.

Alguns deles nem estão aqui.

Eu não sou a melhor pessoa do mundo.

Já fui babaca muitas vezes.

Na maioria das vezes foi sem querer.

Algumas eu mereci o rojão que levei.

E a todos os dubladores desse estúdio, principalmente os que eu citei, para vocês eu só tenho a agradecer.

Vocês fizeram muito por esse lugar.

Então continuem ajudando o Soxs a cuidar dele, por favor.

E para quem está no estúdio só para ver, ou só para ter mais um servidor no Discord, ou para fazer amigos, ou não sei…

Me desculpe.

Eu não sou uma boa líder ou sei lá.

E o servidor é bem parado.

Não que a proposta dele fosse ser movimentado.

Mas foi mal mesmo assim.

E obrigada por estarem aqui.

De verdade mesmo.

É bom ter vocês aqui.

Todos vocês.

É isso.

Talvez eu não volte mais.

Ainda não sei.

Mas saibam que sinto muito carinho por todo mundo aqui.

E por esse lugar.

Perdão a todos.

Ass: Jack Lee

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Escrito por Jack

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