Eu confesso que Tem dias que não dá.
É tamanho meu desespero que inventei uma afeição.
Não posso dizer que sou culpada, pois não é natural que seja assim a união, eu fico com as despesas e o marido com a parte doméstica de levar a filha ao médico e cozinhar, diga-se de passagem feita com desleixo.
Não citei o ponto alto do “eu sou o homem da casa”, bem se sou eu, eu dito quando quero sexo, se quero e como quero, não é?
Não, não é, ele escolhe a hora e fica irritado se eu não me deixo ser atraída por este homem másculo que desfila pela casa com a barriga molenga balançando por onde vai.
Diga-se também de passagem que já faz uns 10 anos que não sei o que é um orgasmo, levando em conta que estamos juntos há 11, bom talvez se o ato sexual durasse mais do que 15 segundos quem sabe?!
É quem sabe!? Na verdade ninguém nunca saberá, eu mesma adoraria saber, mas o tempo é rigorosamente cronometrado por seu sistema rigoroso de qualidade de “dê prazer só a mim”.
Enfim, passam-se os dias, e como ando morando no maranhão e aqui, puta merda, tem mulher fácil de montão, meu marido se sente envaidecido porque quando saímos para jantar ou qualquer outra coisa, sempre tem uma vagabunda paquerando ele, ele se envaidece e com o ego inflado me diz, olha para a sua esquerda, sua direita, atrás, seja lá onde a dita cuja se encontra.
E menciona como se fosse um herói!
É muito difícil para o homem, pensa esses jogadores de futebol como aguantam tanta mulher dando em cima!
Eu nunca me irritei, ou briguei, na verdade penso no íntimo, se ao menos sonhassem, na qualidade do sexo que tenho entre os lençóis e na pressão que recebo para ter mais destaque na minha empresa, é ridiculamente broxante que este homem tenha aceitado essa condição, de que eu tenha que manter as despesas da casa.
Inventei um amor, como não inventaria, conheço um casal sensacional, homem da sociedade, médico respeitável, a esposa tem o supremo papel de ser dona de casa, mãe e andar impecavelmente vestida e carregar um peso significativo de joias, eu pensei que eu queria aquele homem, nada eu queria era que o meu marido pagasse as contas, minha gente simples assim, não há terapia dê jeito nessa inversão de papéis.
Então meninas, não se iludam quando verem um homem bonito, casado e com filhos, olha a vida profissional deles, quem sabe são eu e meu marido, vivendo tristemente esse me olhar bem nos olhos, conseguirão ver que só dentro da minha mente nos meus pensamentos ocultos consigo ter uma vida conjugal feliz.
Não conte a ele, deixe ele continuar pensando eu é o tal, afinal dentre minhas qualidades está a de ter um imenso coração.

