Eu cresci numa casa sem afeto. As brigas eram constantes, a violência, o medo, e eu cresci sabendo que não poderia depender dos meus pais. Cresci evitando entrar em conflitos para não piorar as coisas.
Anos depois achando que tinha finalmente conseguido minha liberdade, tudo desabou. Foi quando veio a depressão e a síndrome do pânico. Tive ataques no metro, no ônibus, na rua. Foram horríveis. Achei que nem conseguiria chegar em casa. E teve a depressão, que veio muito mais silenciosa. Fez me afastar das pessoas, a sair menos de casa, dormir mais, comer menos. Passei mais de um dia sem comer nem beber, simplesmente inerte, pensando que a morte seria melhor.
Vi que não podia continuar daquele jeito, foi difícil. Acabei tendo que voltar para casa dos meus pais porque não consegui manter o emprego. Perdi anos de vida por causa da depressão.
e o que mais me salvou foi começar a fazer aulas de música. Mais que psicóloga ou qualquer outro tratamento. Foi minha tábua de salvação.
Hoje já não penso em morrer, mas ainda sinto a depressão. Qualquer coisa que aconteça é motivo para ela aparecer. Tem horas que me sinto perdido. Inútil. Vou para minhas aulas de música e assim passo mais um dia.
Agora faço planos para o futuro, perdi meu emprego, fracassei na minha tentativa de virar autônomo e estou tentando concursos públicos, talvez um dia (apesar de já ter quase 30 anos) possa fazer uma faculdade de música e dar aulas. Quero mais uma vez ter meu próprio canto, porque aqui o clima ainda é pesado. Não sei o que será de mim. Tenho muitos arrependimentos e medos. Mas já consigo sair de casa, tento fazer coisas novas, e já não penso em morrer. Apesar de não estar bem agora, espero um dia superar tudo isso. Tenho que acreditar que as coisas irão melhorar. E me agarro a qualquer coisa para não cair nos mesmos buracos.
Escrevi isso porque vi que tem vários depoimentos de pessoas com depressão. é diferente para cada pessoa. mas é possível seguir em frente. Não vou dizer cura, nem que tudo ficará bem, mas é possível melhorar.

