Eu confesso que tanto eu quanto minhas outras duas irmãs, não fomos filhas desejadas, quando meu pai soube que minha mãe estava grávida de minha irmã mais velha ele disse que era pra minha mãe abortar, minha mãe se recusou. Como não tinha jeito meu pai então passou a desejar muitoooo um filho, mas nasceu uma menina, ele ficou com ódio de minha irmã e a rejeitou, certo dia quando ela estava chorando no berço ele a sacudiu e a machucou, minha mãe não fez NADA!!!!! pelo contrário em um ano engravidou de mim, meu pai novamente apelou pelo aborto, minha mãe se recusou a abortar e eu nasci; um dia não sei o motivo ao certo meu pai me agrediu e eu ainda era nenem, fiquei com o pescoço inchado, os médicos insistiram que minha mãe contasse o que realmente aconteceu, porque era óbvio que aquilo tinha sido uma agressão ela disse que eu cai do berço ( ela me contou ), fiquei uma semana no hospital, bem que eu poderia ter morrido. Passado um tempo meu pai foi morar na mesma casa que minha mãe (eles moravam em casas separadas mesmo tendo dois filhos) daí a vida de minha irmã e eu virou um inferno! por mais bizarro que pareça ele não deixava nem eu e nem a minha irmã se levantar do sofá pra nada, nem pra ir ao banheiro nem pra beber agua, ainda me recordo pedidindo agua para a minha mãe e ela levava no sofá, em casa não havia lanche, a compra do mês era arroz fejão óleo carne de porco, pra ser mais objetiva torresmo, não tinha pão no café da manhã e nem leite, lembro que minha mãe fazia bolinhos de fubá com agua e açucar e tomávamos café preto ao invés de leite, lembro-me que com 7 ou 8 anos nunca tinha comido uma batata frita e nem sabia o sabor de uma pizza, e o interessante é que eu nasci em São Paulo capital, meu pai era estável no emprego, ganhava bem, não havia motivo pra tanta maldade, também não entendo pq minha mãe foi tão passiva, depois de 9 anos nasceu minha amada irmã caçula, meu pai tb queria que ela fosse abortada, mas não aconteceu, só que dessa vez aconteceu algo mto interessante, meu pai não a rejeitou!!!! parece que pagou a lingua.
Antes de minha irmã caçula nascer meu pai era menos ruim comigo e por isso minha mãe esqueceu de que eu precisava da atenção dela, quando eu ia pegar na mão dela + ou – com seis ou sete anos ela dizia fica com seu pai, ela procurava suprir o que meu pai não dava pra mais velha e esquecia completamente que a atenção que meu pai me dava era relativa. Sempre que meu pai saía queria que eu fosse com ele e eu ia, essa era a diferença, em relação a brinquedos comida, o tratamento dele era igual, não tinhamos nada, eu e minha irmã recortavamos figurinhas pra fingir que era boneca, inventávamos tantas coisa, nem vou mencionar todas, essa é a menos pior, uma amiga de minha mãe deu umas bonecas pra mim e pra minha irmã mais velha, meu pai jogou num barranco em dia de chuva ficou tudo sujo de lama a minha irmã mais velha chorou muito, ela dava mais importancia pra bonecas do que eu. Então minha mãe juntou dinheiro, não sei como e comprou uma barbie da estrela, ela deu pra minha irmã mais velha alegando que eu não gostava de bonecas, minha tia disse que estava errado, que tinha que juntar dinheiro pra comprar as duas bonecas de uma vez e pela primeira vez na minha vida ouvi: Vc gosta mais de Deia do que de Nana, aquilo pareceu estranho pra mim, pq ainda era mto criança tinha aproximadamente 7 ou 8 anos, minha mãe negou obviamente, eu claro tb queria uma barbie, mas disse para minha mãe que esperaria, minha mãe cumpriu a palavra anos mais tarde, me deu uma barbie, fiquei mto feliz. As coisas começaram a piorar depois que eu e minha irmã começamos a ficar mais velhas, minha mãe de vez em quando surtava e dizia que iria internar a mim e minha irmã num orfanato no fim do ano, a principio fuiquei apavorada, depois de tantas surras com mangueira, colher de pau, cinta, por motivos banais eu comecei a desejar ir para o internato, eu imaginava que lá não podia ser pior do que a casa que eu morava.
Depois que minha irmã caçula nasceu as coisas ficaram horriveis pra mim, pq meu pai esqueceu que eu existia e minha mãe continuou dando atenção pra minha irmã mais velha e agora pra a caçula, eu não tinha ninguem, e aí minha ficha caiu, pq era óbio o amor que meu pai sentia pela minha irmã caçula e era óbvio o quanto minha mãe protegia minha irmã mais velha, no real sentido da palavra eu sobrei.
Conforme os anos foram passando a minha mãe começou a me “perseguir” por exemplo um dia apareceu um copo trincado no armário então ela perguntava pra minha irmã mais velha: Foi vc, minha irmã dizia Nãaooo, perguntava pra caçula, foi vc??? ela dizia: Nãaoooo, então ela vinha com fúria pra mim, porque VC QUEBROU O COPO, inutilmente eu falava, vc não vai perguntar se foi eu? ela dizia, não porque as meninas já disseram que não foram elas, então foi vc, eu dizia que não foi, pq realmente não tinha sido, mas ela gritava bem na minha cara que tinha sido e chegava ate a cuspir no meu rosto, ela nem respirava pra falar, e se insistisse em me defender ela dizia: foi vc sim e fala alguma coisa que eu te quebro a cara, fala, fala, ainda me desafiava.
Cresci sendo culpada de coisas que não fazia, cresci sendo comparada com minha irmã mais velha, por exemplo, se eu tivesse um trabalho de escola pra fazer e tivesse que ir na biblioteca da escola ou na casa de alguma colega ela dizia Mentira, pq a A—— não tem trabalho e vc tem? E assim não podia ir fazer o trabalho. Na quinta série em diante eu ia chorando quase todos os dias pra escola, simplismente ouvia de minha mãe que eu era mentirosa, num trabalho de portugues minha professsora disse que precisariamos ir pra algum lugar tipo excursão, se não ficaria sem nota, minha mãe disse: que
mentira, vc tá dizendo isso pq quer ir pra excursão mais não vai, pq a professora da A—– nunca passou esse tipo de trabalho e pra vc ela passou? Minha professora teve que enviar uma carta pra minha mãe dizendo que era verdade, minhas amigas da escola ficaram horrorizadas, eu morri de raiva, vergonha e ao mesmo tempo me senti vingada, porque provei pra ela que não era nenhuma mentirosa. com o passar dos anos as coisas só pioraram por vários motivos, alguns deles: Certo dia antes de ir pra escola,
penteei o cabelo, até aí normal, e fui prender meu cabelo, ele não é lá essas coisas, rs, como disse anteriormente meu pai não dava nada pra gente e continuava assim, então eu tinha apenas UMA presilia pra prender o cabelo e minha irmã tb, só que minha irmã mais velha perdeu a dela e recusou-se terminantemente a entregar a minha, se desse eu ia com o cabelo solto, mas não dava por causa do volume, minha irmã se aprovietando da situação, sabendo que era a queridinha de minha mãe não me devolveu, então eu disse se vc não me der eu vou falar pra mãe, ela arrancou a presilia do cabela e me devolveu e me deu um bofetada no rosto, ficaram as marcas das unhas, me zuaram muito, fui a casa e mostrei o rosto pra minha mãe, ela RIU, isso mesmo RIU de mim e disse que eu era muito briguenta, fiquei desolada!!!! E assim fui crescendo e continuando sendo culpada de tudo, certa vez estava no portão de casa estava de saida com uma colega e ela disse: Cade meu guarda- chuva? Eu não sabia, acredito que ela mesma tenha perdido, mas me obrigou a voltar, entrar em casa, minha amiga ficou esperando e eu fui procurar por algo que não tinha perdido! Me acusou de ter pegado a carteira dela, eu chorava de soluçar, procurava que nem uma louca, não tinha ideia de onde poderia estar, mas nesse dia ela encontrou e veio me dizer: eu achei desculpa, essa foi a única vez que ela me pediu desculpa na vida tenho 29 anos, sinceramente naquela hora não consegui falar nada mas por dentro eu não tinha desculpado, a mágoa era grande.
Não dá pra contar tudo, mas se fosse daria um livro, mas pra finalisar, por tanta injustiça que ela fazia comigo, eu ia todo final de semana durmir na casa do meu tio, era um oásis pra mim, num desses sias minha tia notou que eu estava com uma marca no rosto ela perguntou o que era e eu disse que foi a minha mãe, então minha tia perguntou se eu queria ir morar com ela, eu aceitei na hora!!!! não tinha nada a perder, minha tia disse que seria tudo de papel passado e que eu tinha que ter certeza pq não teria volta, mas não tinha o que pensar, aceitei. Quando contei pra minha mãe que minha tia queria me adotar, ela disse: Vai eu que to ligando. Pra mim, ótimo, já tava decidido, mas ela usou minha irmã caçula que era e ainda é o meu xodó dizendo: Olha T—- ela vai embora e nunca mais vai te ver, vai te deixar, minha irmã começou a chorar muito, mal sabia falar e implorou pra eu não ir embora, então por ela eu fiquei, não resisti aquele choro, se eu não tivesse ficado não perdoaria, amo muito muito muito minha irmça caçula, é muito mais que uma irmã é como minha filha. Mesmo depois de casada ela continua a me acusar de coisas que eu não faço, meu marido esses dias perguntou pra ela: Você viu? ela disse: Não, mas foi ela.
Tenho uma depressão fortissima, não consigo confiar nas pessoas, faço tratamento psiquiatrico, escrevi bastante mas não o suficiente, não dá pra contar tudo nesse depoimento, atualmente ela não fala comigo, mas dessa vez, não faço questã, não queria admitir, mas quero ela longe, muito longe de mim, mesmo longe ela está perto, até a voz dela me irrita, sei que esse sentimento faz mal pra mim, mas não consigo evitar.

