Eu confesso que estava precisando desabafar isso com alguém:
Minha família é meio grande. Começamos assim: Meu “tio” foi criado junto de meu pai. Ele foi adotado mas meu pai nunca o olhou como um irmão, e sim como um amigo. Cresceram… E conheceram belas amigas. As duas até pareciam irmãs de tão parecidas que eram… Mas elas não eram irmãs. Entre várias festas e bebedeiras meu pai ficou com a “namoradinha” do meu “tio” e o mesmo aconteceu com meu “tio”. Ninguém soube de nada. O segredo ficou apenas entre os casais. As moças engravidaram mas não dos homens que ficaram na festa afinal o casais estavam, digamos “trocados”. E elas também não engravidaram na mesma época. Uma criança nasceu em 1972. Essa criança é filha de meu “tio” com a namoradinha de meu pai. Todos se mudaram para Reino Unido. Lá ficaram morando em uma casa um casal de empregados, meu pai e minha futura mãe. A criança fora morar junto deles pois os seus verdadeiros pais de meio modo rejeitaram essa criança. Ok. Em 1977 eu nasci. Fui morar nessa casa, também. Esse casal de empregados, que ao passar do tempo virou dois de meus melhores amigos, relataram, mais tarde, que meu pai e minha mãe nunca se entendia. Ela acabou viajando. A nossa casa era muito grande. Muito espaço para poucas pessoas. Meu pai era um homem muito amargo, sério… Sempre passou maior parte do seu tempo trabalhando. Também, mais tarde, esses meus melhores amigos me contaram que logo após eu completei quatro anos, mais precisamente dois ou três meses, meu pai e minha mãe voltaram a se encontrar e isso gerou um novo irmãozinho para mim. Em nasceu em 1982. Ficou sendo o mais novo. Quando eu tinha seis anos, meu irmão, de sangue, o mais velho brigou com meu pai e saiu de casa. Ele tinha uns 16 anos. Me recordo que no dia de sua partida, eu estava em uma premiação de minha escola e ele também estudava lá. E os alunos que tinham irmãos mais novos receberiam a premiação deles. Quando eu fui entregar seu prêmio ele me abraçou, disse que me amava muito mas que tera de ir embora. Quando eu cheguei em casa, perto das 18 horas eu corri por toda a casa procando ele e não o achei. Quando a governanta disse que tinha ido embora. Aos meus oito anos minha mãe faleceu em um acidente de carro. Meu pai chegou em casa furioso pois havia descoberto alguma coisa que eu não sei, até hoje. Ela tinha me dado uma caixinha de música umas duas semanas antes e dentro da caixinha tinha uma pequena bailarina. Ela rodava e a musiquinha tocava. Eu corri para o quarto de minha mãe, que estava perfeitamente arrumado, e coloquei a caixinha em cima da mesinha com espelho e ela estava lá, aberta tocando. Eu chorei como se minha família toda tivesse morrido. Meu “irmão” (a criança que veio morar com meu pai quando pequena) estava na porta e aos poucos foi se distânciando. Eu me deitei na cama dela e dormi. Quando meu pai chegou em casa, furioso ele escutou aquela musiquinha que para seus ouvidos era irritante. Brigou com meu “irmão” e subiu à mil as escadas. Porém o rapaz foi mais rápido e me tirou do quarto. Eu vi, muito pouco, mas vi quando ele quebrou a caixinha com toda força. Jogou-a no chão e pisoteou-a. Eu já não agüentava mais aquele homem rude, ignorante e sem coração perto de mim. No dia seguinte eu comentei isso com meu “irmão” e ele, que na época tinha 13 ou 14 anos pediu para que meu pai se retirasse daquela casa já que a casa estava no nome dele não de meu pai. Pela noite ele arrumou as coisas e foi embora. Ficou só cinco. Meu “tio” reapareceu e ficou pagando as contas durante muito tempo. Em 1993 eu conheci um rapaz na escola que estudava porém aquele dia fora o último que o veria pois eu teria de mudar de colégio. Em 1994 começei a namorar um rapaz maravilhoso. Meu pai foi contra. Meu “tio” e meu “irmão” foram à favor. Meu casal de empregados que já considerava parte da minha família aceitaram muito bem. No ano seguintem começei a sentir algo pelo filho de meu “tio”. Ficamos juntos e foi um momento muito especial para nós dois, porém isso aconteceu no finalzinho do ano. Em 1996 fiquei mais próxima do meu pai por motivos de trabalho. Eu e o rapaz ficaramos juntos porém muitas peças o destino nos pregou. Tive de me mudar de cidade e junto de todas essas lembranças levei um anel que ele me dera de recordação. Em 2001 meu pai faleceu e só depois foi que eu soube que sua infância foi dificil e que ele passou maior parte de seu tempo trabalhando porque queria nos dar a vida que ele não teve. Não teve amor paterno e hoje acho que por esse motivo ele não soube nos recompensar com o mesmo. Tive de voltar ao Brasil. Quando cheguei aqui descobri que meus dois irmãos estavam envolvidos com drogas. Dois de meus namorados foram assassinados. Um em um assalto e o outro em um acidente de carro que fora provocado. Os culpados foram presos e ainda cumprem pena. Quando eu reecontrei o raaz, filho de meu “tio” ele já estava compromissado. Estava namorando outra mulher… Em 2005 meu “tio” faleceu de uma parada cardíaca. Hoje eu penso que certas coisas não vale mais a pena esperar, como por exemplo uma vida melhor para mim. Já estou com 31 anos e não espero mais nada de bom dessa vida. Visitei vários piscologos mas eu nunca consigo resolver meu problema de solidão, de depressão. Já pensei em me suicidar diversas vezes mas algo me diz que posso ter uma segunda chance de felicidade.

