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Morrendo aos poucos

Li tantos desabafos tristes nesse site. Gostaria de remediar a dor de muitas pessoas. Mas acontece que, como muitos, eu também ando numa maré ruim. Me falta amor próprio e vontade de viver.
Meus amigos dizem que eu tenho que me valorizar, que ninguém vai amar alguém sem amor próprio e que eu tenho que ser menos impulsivo ou radical. Mas não consigo. Quando fico com alguém, por exemplo, me doo o máximo, tento ser presente e toda aquela expectativa nasce. E só desejo ser amado. Nas amizades a mesma coisa, tento ser um amigo presente, alguém legal e em outras áreas da minha vida. Mas não me amo. Quando as pessoas vão embora, e elas vão, me sinto jogado no chão. Abandonado.
Atribuo isso ao ambiente em que cresci. Já escrevi sobre isso antes. Mas nos últimos dias isso tem me assombrado de um modo violento.
Fui abadonado pelo meu pai, tinha um tio abusivo que me xingava de "viadinho", "desgraçado" (isso quando eu tinha 05 anos de idade e até os 12 anos, mais ou menos), sofri diversos abusos sexuais. Um primo que é 15 anos mais velho que eu, abusava de mim quando eu tinha uns 04 ou 05 anos de idade. Lembro dele me levar ao banheiro para eu fazer sexo oral nele, lembro vagamente dele ejacular na minha boca e do gosto horrível e de eu não poder contar para ninguém. Lembro dele esfregando o pênis em mim e depois brigar comigo falando que eu não podia fazer aquilo, que Deus castigava. E não foi só ele. O problema é que vizinhos fizeram isso, quando eu era muito novo. Outros primos chegaram a abusar de mim. Vizinhos abusaram de mim.
Certa vez me perguntaram por que aconteceu tantas vezes, e eu não sei explicar. Na infância eu cheguei a me sentir estimulado com essas práticas e em seguido culpado. Falei para minha mãe algumas vezes, mas eu sempre apanhava. Aos 12 anos de idade meu tio chegou bêbado e me penetrou. E isso durou uns 04 anos. Depois que ele gozava, me empurrava e me tratava como lixo.
E hoje, sou um adulto, essas coisas não aconteceram mais, exceto uma vez, que um ex me penetrou quando eu estava alcoolizado. E terminamos por conta disso. Eu não estava mesmo em condições.
Enfim… após esses episódios de abuso, tenho que pontuar que minha mãe foi morar com o meu padrasto quando eu tinha uns 10 anos. Eu não fui. E sempre que ia para lá minha mãe colocava alguma dificuldade, do tipo "não vou fazer janta". "Se vim pra cá não vai ficar na rua". A parte de afeto foi muito falha, mas materialmente, ela tentava me dar o que podia e estava ao alcance.
Anos mais tarde morei com ela, arranjei um namorado, ele ia a minha casa em tudo, até o meu padrasto começar a implicar e ter uma atitude homofóbica. Por conta disso, meu padrasto perguntou quando eu sairia de casa e tive que vir morar com minha avó.
A vida toda, tive duas pessoas na família que entenderam. E uma delas está com câncer, eu estou desempregado, a minha vida está virada de cabeça para baixo. Conheci um rapaz, a princípio, bacana; Depois, virou um escroto. Mas ele era a única coisa leve que acontecia. E agora que não nos falamos mais, sinto muita falta. Me sinto muito só. Tenho que estudar e não consigo. Só penso em como eu desejo morrer o tempo todo.
Geralmente, sou bem tratado no início, depois sinto que sou deixado de lado e tratado como lixo. Mas como não poderia acontecer isso, se eu mesmo não consigo me amar. E como alguém que foi tratado como lixo a vida inteira, abusado a vida inteira, culpado a vida inteira, pode adquirir autoestima e amor próprio.
Queria morrer agora. Cair no chão, morto. Mas não tem como. E ainda tenho algumas ideologias de que o suicídio é um caminho sem volta, vamos para um lugar ruim, não temos paz. Enfim… Tenho chorado todos os dias.

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Escrito por Anônimo

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