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Morta por dentro.

Eu confesso que esses traumas são como demônios. Uma vez me disseram que traumas foram feitos pra serem superados e, até então, comecei a os enterrar com o pouco de terra e disposição que tinha. Passei minha vida à procura de uma base familiar, amorosa, em todos os sentidos. Quando criança sempre fui estranha, gostava das pessoas muito facilmente, tinha gostos diferentes de todos. Comecei a falar com três anos por isso entrei atrasada na escola, quando entrei era considerada a nerd de óculos e aparelho pois sempre me esforcei pra estudar e ter a atenção dos meus pais que só trabalhavam e tentavam me compensar com presentes. Cresci em um ambiente amoroso, mas sem a devida atenção que merecia. Comecei a ter tendências suicidas ainda criança, me cortava, me machucava pra ficar chupando meu sangue e tinha uma atração fodida pelo meu pai, implorava pela atenção do mesmo, porque ele sempre me chamava de gorda, falava que eu precisava emagrecer. Era uma pressão de uma família inteira. E eu era só uma criança. Eu roçava no meu pai com cinco anos de idade, como quem implorava pra ser estuprada. Ele sempre me evitava, mas em seu olhar sempre teve um carinho adicional por mim e era isso que eu tanto gostava, dormia de conchinha comigo e eu sentia o pênis dele ali, sempre me afastava e ele me puxava pra perto. Até que um dia deitei com ele e fiquei curiosa pra saber o que era aquilo, sabia que era errado mas fiquei mexendo e olhando, fascinada. Era impossível ele não ter sentido eu mexendo, apenas ficou omisso, fingindo que tava dormindo enquanto eu ficava ali. E com o risco de saber que aquilo era errado, mesclado com a vontade que eu tinha de ter aquilo, me considerei estuprada. Com oito anos tentei me jogar na frente de um carro. Com onze me rebelei contra meus pais e todo o desejo que sentia pelo meu pai se dissipou e só ficou aquele amor irracional, foi então que comecei a procurar meu pai em todos os casos que tive. E em todos esses casos, os garotos só queriam sexo. Eu me apegava forte e eles tinham que me fazer soltar deles na base da porrada, no sentido literal. Até que eu com 15 anos saí com o cara mais bonito que conheci na minha vida, que tem 30 anos, comecei a gostar dele, ele me fez amadurecer, mas não fui correspondida. Até que conheci o meu primeiro namorado, o primeiro cara que amei. Ele era um sujeito com borderline e depressão, isso foi o que mais me atraiu nele. O jeito que ele parecia me amar, as coisas que me dizia, o jeito que me desejava… De toda a minha vida, de todos os traumas, de tudo, ele foi o único que conseguiu preencher o mais negro buraco em mim. Foi com ele que eu esqueci o bullying, o estupro, a falta de atenção dos meus pais… Até que ele terminou comigo e voltei ao meu quadro de depressão grave. E depois que ele terminou comigo descobri que ele me traía no começo do namoro, durante e depois, quando estávamos dando “um tempo”. Ele mentiu olhando nos meus olhos e me enterrou a sete palmos. Minha ansiedade parou de atacar. Eu continuo emagrecendo. Vou em psicóloga, psiquiatra há meses e mesmo assim, eu tenho medo. Tenho medo do quanto eu ainda vou ter que aguentar, porque tudo se tornou tão insuportável. Eu tenho medo de mim.

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Escrito por Anônimo

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meu boneco

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eu tenho 12 anos e mostro minha vagina na cam pra gente que eu n conheco