Geralmente, ao se casar, a mulher pobre, ou da classe média, maioria do Brasil, não tem dinheiro para contratar empregados para ajudá-la nos serviços de casa, logo, se torna empregada doméstica, lavadeira, passadeira e cozinheira não remunerada. Se tiver filhos, se torna babá. Ao levar em consideração a situação atual da mulher brasileira, há as que exercem alguma função no mercado de trabalho.
Empregada doméstica, lavadeira, passadeira, cozinheira, babá e empregada no mercado de trabalho, pelo menos neste ela é remunerada, mas, como o salário médio do brasileiro é baixo, em torno de R$ 2.400,00 por mês, e a mulher ganha menos na mesma função exercida pelo homem branco, não dá para nada, principalmente nas grandes cidades, onde o custo de vida é alto, por exemplo, São Paulo, sem mencionar as que estão desempregadas e as que não conseguem ingressar no mercado de trabalho.
Além de todas as funções que exerce no lar, o machismo impera no Brasil, logo, se ela “só” trabalha em casa, é considerada preguiçosa, vida fácil e dependente do cônjuge.
Em um livro machista que eu li, o autor defendeu que a mulher, além de exercer tudo o que eu citei, tem que estar sempre bonita, arrumada, magra, jovem e sem rugas, de pele impecável, no entanto, as mesmas cobranças não são feitas em relação ao maridão.
Fiquei horrorizada quando ele escreveu que a mulher tem usar vestidos provocantes, curtos, colados ao corpo, dois números menores do que o manequim dela, salto alto fino e maquiagem para fazer limpar a casa e cozinhar… Reduziu a mulher a uma vagina ambulante que faz serviços domésticos, cuja razão da existência é servir ao maridão, ser boneca sexual dele e ser perfeita.
Na visão pobre e ignorante dele, a mulher tem que se vestir para chamar a atenção da caboclada na rua, não para se sentir bem com ela mesma, no entanto, ele não tem noção do quanto ela é pressionada e cobrada para estar em um padrão inacessível. Algumas sofrem, apresentam a autoestima baixa e desenvolvem algum transtorno, por exemplo, depressão, por não estarem nele.
Ele cultua que a mulher tem que ser alta, magra, branca, loira de olhos azuis, e, o pior, eternamente jovem. Ele não sabe as mulheres também envelhecem, e, por mais que se cuidem, apresentam rugas, linhas de expressão, flacidez, dentre outros, e não sabe o quanto é caro fazer tratamentos estéticos, adquirir tais cremes, géis, cosméticos, roupas, sapatos, dentre tantos outros destinados ao público feminino.
O pior não é ele pensar assim, mas é a maioria da população masculina pensar o mesmo e apoiá-lo nas colocações machistas, misóginas, cruéis, inatingíveis e exageradas.
Entre ser casada com um ser execrável, machista e misógino, e ser solteira, prefiro este, sem dúvidas, comprar um vibrador e o novo brinquedo erótico que faz sexo oral na mulher.
Para as mulheres que sofrem por causa da cobrança machista e misógina da sociedade em relação à aparência feminina, recomendo a leitura do livro o mito da beleza, da autora Naomi Wolf, que está disponível gratuitamente para quem quiser baixá-lo e lê-lo.
Mulheres, vocês são fortes, mais fortes do que imaginam. Libertem-se das correntes modernas, machistas e misóginas do patriarcado doentio e pútrido!
A sociedade preconceituosa quer reduzi-las e controlá-las, logo, não acreditem em nada proveniente dela, pois ela quer que vocês sejam devotas, submissas e “Amélias modernas”, sem voz e controladas por homens.

