Eu confesso que, ouvindo essa canção de Osvaldo Montenegro, me faz voltar à memoria daqueles terriveis momentos que eu amava aquele loirinho lindo de olhos azuis. Terríveis sim, pois, ele era tão lindo, em seus 17 anos e eu? eu já mulher, recèm separada de um amor que mal durou algumas horas, mas que conviví por 4 anos e tivemos um filho, nascido com um probleminha…mas…eu era tão estúpida, tão infantil, ao mesmo tempo tão soberba e despreparada para um relacionamento; mal amada na infância e adolescência, cheia de traumas e agora, aquela raridade em minhas mãos, aquele menino loiro, fruto dos meus sonhos: Que adiantava meu Deus??? Eu não sabia lidar com uma situação tão perfeita. Ele era tudo o que eu sonhava desde tão tenra idade e o destino me trouxe e eu, me sentindo sempre tão mal amada, mesmo sendo bem amada, disse:lhe: “Não sinto nada por ti, saia da minha vida”, eu tinha medo em perder, por isso terminei logo com aquilo. Covarde! Como fui sempre covarde! “Lua e Flôr”, foi a canção que ficou. O meu amado cantava e encantava, dedilhava o seu violão para mim e eu, nos meus 24 anos, queria eternizar cada momento. Mas com aparente frieza, namorei outro e em menos de 6 meses me casei. Que bom o fruto; uma filha linda, que só me dá alegrias…e quanto a esse casamento, confesso que no meu coração nunca existiu e assim como a onda do mar, veio e se foi: sem alardes, sem tristezas, sem saudade…foi o curso natural de algo que nunca permaneceria. Alías, eu sabia disso, quando uma semana antes, com o meu casamento marcado, só Deus foi testemunha do quanto verdadeiramente chorei com esse torturante momento. Sim. Eu precisava fugir. Eu fugí. E sabe, eu nunca me achei.

