A minha vida toda eu fui espírita, acreditava nos dogmas e tudo, mas em 2015 larguei o centro espírita por uma série de questões, mas nada haver com a crença. Acabou sendo a melhor decisão que já fiz na vida.
Acontece que até então eu tinha uma série de problemas relacionados a moralidade, racionalidade, etc. Basicamente eu não tinha uma visão de mundo própria. Eu acreditava nos dogmas, e isso me tirava a oportunidade de julgar as coisas de um jeito mais lógico.
Antes de continuar gostaria de deixar bem claro pros crentes que por dizer "julgar as cosias por um jeito mais lógico", não quero dizer julgar as coisas friamente como alguém sem apatia. Porque certas pessoas acham que o senso moral só existe se existir Deus ou se alguém crer nele, e se a pessoa não crer ela se torna um ser maquiavélico. Não existe isso!
Continuando, desde que eu saí do centro, eu começei a me afastar da religião também. É que nem um católico parar de frequentar a igreja e consequentemente parar de pensar religiosamente. Isso fez com que eu também não visse mais sentido nas coisas fantasiosas que me diziam. Resumindo, eu começei a ser sincero comigo mesmo: eu nunca realmente acreditei em nada do evangelho e essas coisas. Porque se eu acreditasse, eu viveria com pavor de ir pro umbral (o inferno, só que temporário).
Em 2016 eu já não era mais espírita, não acreditava em nada, mas ainda tinha minhas dúvidas se existia Deus ou não.
Em 2017 eu estava num estágio entre agnoticismo e ateísmo. Não ligava se Deus existia ou não, eu tinha noção de que todas as religiões eram iguais, seus praticantes pensam o mesmo de si e dos outros, que estão absolutamente certos e que as outras religiões ou estão erradas ou "estão todas certas" (mas no fundo quer dizer que a certa mesma é a minha).
Nesse mesmo ano descobri podres sobre o espiritismo, sobre o Chico Xavier, que ele era um farsante, que plagiava livros, e soube de muitos outros médiuns. Lembrando que eu pesquisei e investiguei, pois tenho coleções de livros espíritas desses autores.
Minhas descobertas me libertaram, pois não havia mais dúvida sobre a natureza dos dogmas que segui por toda a minha vida, era tudo mentira. E eu saí da ilusão maldita.
Mas por outro lado eu senti uma raiva muito profunda, uma sensação de que fui sacaneado por toda a minha vida, que fui atrasado por terceiros, que fui prejudicado seriamente e que poderia ainda estar sendo iludido se não partisse de mim a atitude de buscar as verdades sobre minha religião.
Tentei avisar amigos sobre o que descobri, mas eles não me ouviram. Nem mesmo os mais cultos deram bola. Então fiquei com essas informações todas guardadas sem niguém pra contar, ninguém pra eu me expressar.
Perdi toda a fé em Deus em 2018, na verdade fé pra mim é uma palavra bonita pra algo muito grave e ruim. As pessoas não costumam ler, não pesquisam sobre assuntos pertinentes que rodeiam suas mentes, elas buscam respostas prontas em suas religiões, e assim se alimentam de uma droga que as alivia de pensar.
Hoje eu busco informações, eu ouço ateus, eu leio livros de ciência sobre moralidade, não possuo dogmas, não possuo crenças, e nem por isso deixei de ser um filantropo. Essa experiência foi como acordar de Matrix. Se eu não tivesse passado por isso eu continuaria sendo aquele moleque que discute com os outros sobre qual religião é a certa. Eu continuaria tendo problemas em julgar o certo e errado. Finalmente, me tornei uma pessoa esclarecida.
Não acreditar em Deus não é algo ruim, pelo contrário, você começa a pensar mais abertamente e sua vida fica mais tranquila.
Esse foi meu desabafo.

