Eu estou no colegial, e droga, sinto inveja das meninas cujo os problemas são os relacionamentos ou discussões, coisa que eu não deveria fazer, porque reconheço que todos tenham sua dor, e não cabe a mim mensurar a de alguém. Então, por que todos querem mensurar a minha?
Tenho problemas com meu pai. Nunca fomos próximos, ele tem questões de ser impulsivo e grotesco quando quer. Eu o amo, mas muitas vezes parece que somos estranhos um para o outro. Depois de tantos anos sem se importar o bastante, pareceu inútil a ambos tentarmos finalmente ter alguma comunicação ou assunto em comum. De qualquer maneira, essa relação me deu a sensação de nunca ser o bastante, pois sempre tentei agradá-lo, sem jamais reclamar ou chorar na sua frente por seu comportamento. Ele deixou minha mãe na gravidez, e isso me fez pensar que o motivo de toda a separação era eu, o que, em partes, é verdade.
Quando eu já era maior, minha mãe se casou. Meu padrasto sempre se dedicou a mim, como um amigo presente. No entanto, certo dia pedi para que ele dormisse comigo, como fazia quando era fim de semana (eu era criança, e nem eu ou minha mãe víamos malícia nisso), senti algo em minha coxa. Perguntei o que era, e ele me mandou ficar quieta e dormir. "Aquilo" continuou me incomodando, e só depois soube que ele tinha dito uma "ereção" comigo. Me senti podre, e comecei a adiá-lo. Mas não queria acabar com o relacionamento de mamãe, então, escondi, enquanto ela – sem saber de nada – insistia em saber porque eu estava tão seca e mal-educada com seu marido. (só contei a ela após seu divórcio)
Adentrando a pré-adolescência, tive sintomas de anorexia. Indo e voltando, indo e voltando, acabei por ter anorexia, bulimia e criar depressão, assim como automutilação. Fui para uma clínica onde ‘dopavam’ pacientes, insistiam para confissões e nos pressionavam e separavam. Para os nossos pais, eles passavam outra imagem, claro. E ninguém acreditaria em alguém com distúrbios e depressão, certo?
Minha mãe também ficou com depressão pela minha situação, e após toda minha luta para sair daquele maldito lugar, nunca senti como se estivesse totalmente recuperada. Talvez fosse a pressa em fingir estar bem para escapulir daquela maldita clínica.
Porém, tudo se estabilizou. Até que o marido da minha prima me molestou. Na minha família, todos nós somos muito próximos, e todos me conheceram desde pequena. Por isso, não vi malícia quando ele me convidou para matar aula. Por isso, só desconfiei quando ele se mostrou quieto e me levou pra droga de uma rua que eu não conhecia. Estava de manhã e, droga, mil vezes droga, ninguém iria ouvir se eu gritasse. Ele trancou a van e eu não sabia como abrir. Mas claro, a idiota foi eu, de ter aceitado ir para a parte de trás da van, achando que pelo espaço, isso iria me dar chances de me distanciar, iria me dar chances de empurrar as portas e fugir. Eu fui burra, e ele percebeu que eu não tinha a mínima ideia de como abrir. Foi o pior dia da minha vida. Ele era tão maior que eu, gordo e alto, eu tentava empurrá-lo, e ficava estática de medo sempre que ele me soltava, rindo do meu desespero. Eu não conseguia mover um músculo, morrendo de medo de que ele fizesse algo.pior ou enlouquecesse. Eu não conseguia acreditar naquilo.
Eu tinha 13 anos.
Agora, passou-se dois anos e eu ainda tenho crises de choro. Eu me sinto culpada. Eu quero sumir.
Estava frequentando uma casa espírita, e por insistência acabei ficando com um rapaz. Descobri depois que tinha namorada, e mesmo que não soubesse antes, eu sinto que sou vista como vadia. Eu estrago tudo. Eu faço de tudo pra ficar feliz e tentar "lidar com isso" como as pessoas dizem, mas no final do dia eu ainda penso como poderia ser diferente se eu não fosse a merda de uma ingênua.
"Quando é de um parente, é mais difícil superar o abuso", os especialistas falam. Só que, tá aí, eu não vou superar.
Contei, depois de um ano de silêncio e medo, vendo ele em todos os almoços, temendo pelas filhas dele, para minha prima (esposa dele). Ela continuou casada, e acha que sou culpada.
Todos da família esqueceram sobre isso, e quem se lembra acha que eu tenho que seguir em frente, "lidar com isso".
Estou nesse site porque não aguento mais.
Eu não quero ser mais esse fardo de problemas para minha mãe e amigos, e cansei de conviver com toda a dor que passa pela esquina.
Eu não aguento mais.
Eu me sinto suja, imunda, apodrecida. Eu só quero sumir.
E me sinto mal pelas pessoas que deixaria, mas droga, elas não sabem na pele o que estou sentindo. E se Deus quiser, nunca irão saber.
Eu só não consigo mais estar bem.
Não quero me matar. Não quero ir embora nesse sentido. Mas sabe aquela sensação de querer se trancar no banheiro e ficar lá durante horas, quieta, abraçada a alguma toalha qualquer? Eu só quero paz, porque sinceramente, não suporto mais um problema que apareça.

