Eu confesso que Eu tenho 18 anos, e durante muito tempo pensei odiar minha mãe. Até que um dia depois de muito pensar e tentar entender o que há de errado comigo. Vi que amor e ódio andam muito próximos, e são até facilmente confundidos. Minha história e de minha mãe é muito confusa. A vida inteira ela foi o que você descreveu como uma mãe omissa. Ela nunca foi me pegar na escola, nunca me deu carinho, nunca foi a uma festinha de escola me ver, sempre muito distante. Mas pra que vocês possam entender melhor tenho de contar tudo do começo. Bom… Sou a filha mais velha de três irmãos, minha mãe me teve aos 15 anos, meu pai tinha 18 na época, e como vocês já sabem, criar uma criança aos 15 anos não era fácil, então ela não sabia como fazer já que também era uma criança e queria curtir a juventude, então me abandonou com meu pai e minha avó e foi embora. Ela arranjou outros namorados e nunca cuidava de mim, por ter uma vida regrada a viagens e festas. Até que ela arranjou um namorado e viajou pra outro estado. E eu fiquei. E até os 5 anos da minha vida eu nunca tinha conhecido minha mãe. Até que ela voltou grávida e meu pai como sempre foi apaixonado por ela, se casou com ela e construimos uma família: eu, eles, meu meio-irmão e minha irmã caçula que viria alguns anos depois. E eu como criança que era, sempre tentei chamar a atenção dela, fazer tudo de tudo pra que ela me percebesse, visse que eu também era filha dela, mas sempre foi muito fria e nunca nos deu carinho algum. Até que com um tempo, vi que ela me tratava mais como uma pessoa que vivia na casa dela do que com filha, e eu vi aí uma forma de tentar ficar próxima dela. E aceitei assim durante muito tempo. Vivemos juntos por 13 anos. Até que em junho deste ano, ela se separou do meu pai por estar traindo ele. E levou meus dois irmãos com ela, e eu fiquei com meu pai. Novamente. E tudo que ficou foi o sentimento que ficou foi de dor e decepção. Meu pai sempre a amou muito, ele é um pai maravilhoso, mas em alguns momentos, errava por conta de amar demais ela. Entendo a dor que ele sente. E sinto dor ainda maior, porque ela hoje não passa de uma estranha. Me senti de novo como a criança que foi abandonada pela mãe. E agora vejo ela negligenciar na criação dos meus irmãos pra poder ficar com o namorado dela. E eu, hoje com 18 anos, sou quase mãe do meus irmãos. E tenho que sempre proteger eles de saberem a verdade de todas as vezes que ela sai de casa e deixa eles sozinho, ou de quando ela vai sair e os deixa na minha casa, e eles choram. Eu tenho que arranjar forças de onde não tenho, porque sei que represento a base do que sobrou da nossa família. E às vezes me dói fazer isso, já que agora tenho alguns pesadelos e sempre sonho com nossa casa e família reunida, algo que eu sei que nunca mais vai acontecer. Tenho tido até umas crises de choro. É bem difícil, ser forte, quando você vê a história se repetir com pessoas que você ama, que você deve proteger e realmente tenho medo que eles passem por tudo que passei.
E foi revendo todos esses fatos que cheguei à conclusão que não odeio minha mãe. Amor e ódio são palavras que têm palavras completamente diferentes, mas sentimentos tão fortes e próximos que assustam. Eu a vida inteira não a odiei, só sempre tentei entender o porquê ela que foi feita pra me amar, não podia fazer isso, ou o que havia de errado em mim por ver que todas as minhas amigas tinham mães que faziam de tudo por elas, e eu não podia ter. Sempre pensei que o erro estava em mim, que estava fazendo algo errado. Me praguejo todas as vezes que lembro ter pedido pra não ter nascido só pra não ter dado esse desgosto a ela. E isso são traumas psicológicos que carrego até hoje comigo. É hoje sei que a amo, ela é a pessoa que mais amo no mundo, só que por ela nunca ter me dado esse amor de volta, eu tenho raiva. Raiva de nunca ter tido alguém pra cuidar de meus machucados, ter alguém pra ir me deixar na escola, ter alguém pra me abraçar e dizer que o primeiro coração partido não é nada, ou só me falar que eu devo sim seguir meu sonho de fazer a faculdade desejada, ou ter alguém pra me abraçar alí e dizer que está do meu lado e pela primeira vez dizer que me ama. Alguém não, ela. Minha mãe. É dela que preciso.
Espero que algum dia ela entenda e tente se aproximar de mim, que veja que sou filha dela. E tirar de mim toda a dor e angústia, pra que eu possa dar a ela o sentimento mais nobre que tenho guardado em meu peito desde o dia em que nasci. Meu amor que tanto aguarda ser amado.

