A intenção deste desabafo é conciliar atitudes e comportamentos que possam ajudar a identificar uma tendência parafílica (hebéfila ou pedófila) e incentivar aos que se identifiquem a buscar tratamento ou pelo menos acompanhamento psicológico afim de evitar a catástrofe do ato.
Fui molestado quando criança, tinha cerca de 4 ou 5 anos, por um vizinho adolescente e posteriormente aos 12 anos por um tio que era 4 anos mais velho que eu.
Na primeira vez a única coisa que acontecia era a troca de masturbação (você faz pra mim que eu faço pra você) e o famoso troca-troca, mas tudo muito infantilizado, apenas encostávamos no corpo um do outro e ficávamos esfregando. Aos 12, a diferença física entre mim e o meu tio era grande e eu já tinha noção da evolução do membro e dos pelos pubianos dele, totalmente diferente dos meus. Ele me pedia para masturba-lo e algumas vezes baixou os meus calções e ficou esfregando em mim até ejacular.
Nas duas ocasiões, a única informação crucial era a do segredo absoluto. Não poderia contar a ninguém ou eu seria punido.
Meus pais estavam separados e, numa noite, com a necessidade de sair, minha mãe pediu ao meu tio para ficar comigo em casa para eu não estar sozinho. Ele começou com uma brincadeira de fazer cócegas e se colocou por cima de mim. Baixou os meus calções e ficou esfregando. Quando eu tentava me desvencilhar ele fazia cócegas em mim até que eu perdesse as forças. Eu levava tudo como apenas uma brincadeira.
Minha mãe chegou e nos apanhou. Naquele momento o único a se manifestar fui eu, dizendo que estávamos apenas brincando, porque era como havia aprendido a entender aquilo.
Me lembro vagamente de estar na sala da casa dos meus avós paternos com meus pais, e meu tio e, a única parte que eu me lembro do diálogo era que me perguntavam porque estávamos fazendo aquilo e eu repetia constantemente que estávamos brincando apenas. Nunca ninguém abordou a gravidade do assunto, não fui acompanhado ou encaminhado a qualquer especialista, optaram por ignorar o fato e manter o segredo em família. Dentro da minha pesquisa e leitura em busca do entendimento do meu problema, comecei a entender que, naquela época, com a falta de suporte e informação, a necessidade de esconder e privar o assunto estava relacionado apenas com o risco da associação ao homossexualismo.
Hoje tenho mais de 40 anos de idade, fui casado por alguns anos e sempre me relacionei normalmente. Sempre tive uma vida sexual ativa e nunca fui tendencioso para quaisquer anormalidades.
Acho importante ressaltar que cresci no Brasil, numa sociedade machista onde o homem deve provar o seu valor colecionando mulheres, usando e descartando, apenas buscando viver uma próxima experiência. Sempre vivi numa cidade em que as mulheres também se submetem a este tipo de sistema.
Meu pai se casou e separou muitas vezes após o fim do relacionamento com a minha mãe. Ele nunca soube o que poderia significar a palavra respeito e fidelidade e nunca conseguiu representar a função de um homem para uma mulher.
Uma das coisas que eu menos gosto de ouvir são as comparações feitas por minha mãe dizendo que sou igual ao meu pai, porém a verdade é o que mais nos custa ouvir! Eu não fui respeitoso, não era fiel, colecionava namoradas, sempre com relacionamentos casuais, ocasionais e nunca assumia compromisso sério com ninguém. Eu sempre fui idolatrado pelos meus amigos por esta vertente. Tinha o poder de conseguir as mulheres que quisesse, como quisesse e fazia o que bem entendia. Hoje não consigo contabilizar quantas parceiras sexuais tive ao longo da minha vida e, assumo que algumas, sequer me lembro dos nomes. Um verdadeiro consumidor, não que me orgulhe disto, muito pelo contrário.
Comecei a perceber uma tendência atípica no meu comportamento um pouco antes dos 30 anos (27 ou 28). Acredito que o despertar deste distúrbio se deu quando li uma matéria falando sobre uma menina russa que foi considerada a maior atriz pornô infantil. Ela foi abusada pelo padrasto, que gravou inúmeros vídeos e vendia na internet.
Eu tive acesso a estes vídeos, na altura a internet não era tão controlada como nos dias de hoje e pude ver o conteúdo que foi feito com esta adolescente.
A partir daí, as adolescentes com o corpo em formação me chamavam muito a atenção, me despertavam curiosidade. Sempre que olhava para uma menina com o corpo em desenvolvimento, começava a imaginar quais seriam os pensamentos dela em relação ao sexo, se já era sexualmente ativa, o que a incentivava. Até então não passavam de curiosidades que me excitavam porque, sempre me arremetia a pensamentos e fantasias relacionados a matéria que apresentava uma menina que gostava de se exibir e não se incomodava com o conteúdo dos vídeos que andava a fazer. Não concordava com o ato em si. Meus princípios morais e éticos não condiziam com aquela realidade. Convivia e convivo com várias crianças que amo, familiares, afilhadas e filhas de amigos e nunca pensei em agir contra elas.
Hoje, analisando o meu comportamento assumo que sou viciado em pornografia e masturbação. Qualquer conteúdo serve de incentivo. Qualquer variação de humor o meu refúgio é a pornografia e a masturbação. No trabalho, em casa, na rua. Se me surge a vontade eu apenas recorro a algum local privado, busco um vídeo qualquer e me masturbo apenas para satisfazer a minha necessidade imediata.
Estava casado e minha ex mulher tinha uma filha de 12 anos de outro relacionamento. Iniciamos o nosso relacionamento, namoramos por 2 anos e depois decidimos viver juntos.
Notava claramente que minha enteada não estava muito à vontade comigo e que não tinha qualquer afeto por mim. A minha missão era apenas conquista-la para criar um melhor ambiente no nosso lar. Era e sou completamente apaixonado pela minha esposa. Sempre fomos sexualmente ativos, frequentes e com total satisfação por parte de ambos.
Com um convívio constante a minha relação com a minha enteada foi se estreitando e as coisas foram se ajustando. A minha enteada passava muitas horas no computador, falava com muita gente desconhecida e chegou a manifestar que havia arranjado um namorado virtual. Falando com minha esposa concordamos que deveríamos controlar mais o tempo e os acessos da menina ao computador.
Começamos a controlar o histórico no computador dela, definimos tempo para ficar em frente a tela e demos várias orientações acerca das amizades virtuais e os riscos de não se saber quem está do outro lado.
Numa das incursões notei que o nível da conversa com o rapaz (suposto namorado virtual) estava completamente voltada para o sexo. Masturbavam-se simultaneamente e narravam o que faziam.
Naquele momento eu não tive qualquer reação e fiquei receoso pelo conteúdo, mas entendo que é normal da idade. Não quis comentar para não preocupar a minha esposa (e entendo hoje que o meu maior erro foi este) e apenas apaguei a parte mais pesada para, se no caso a minha esposa também fosse olhar não se deparasse com aquele conteúdo.
As coisas pioraram quando eu fui controlar mais uma vez e vi uma quantidade enorme de vídeos pornográficos visitados e um deles me despertou a atenção. Um casal com o corpo coberto de óleo, apenas esfregando os sexos sem penetração.
Todas as minhas curiosidades com relação às adolescentes, citadas anteriormente, voltaram a me perturbar. Fiquei semanas a pensar no que fazer. Num dia a tarde estávamos em casa sozinhos e confrontei-a dizendo que tínhamos acesso ao computador dela e que eu sabia o que ela andava a ver. Que todos os vídeos e conversas com o namoradinho virtual era do meu conhecimento. Questionei porque andava tão curiosa assim e porque ficava todo o tempo apenas falando de sexo com o rapaz, porque estava vendo vídeos com aquele conteúdo tão explícito? Tentei fazer o papel de pai e falar sobre o assunto para que ela pudesse esperar e não antecipar tanto as coisas. Ela tentou desmentir e eu abri o meu telefone e mostrei o vídeo que ela tinha visto ela sorriu envergonhada. Eu disse a ela que não iria contar para a mãe, mas continuaria a controlar afim de que ela evitasse aquele comportamento e, caso continuasse, eu passaria para a mãe resolver.
Fiquei com medo pelo risco de perder o vínculo que estava a criar com ela, mas também pensei que poderia ser o fim das visitas aos sites. Ela começou a fazer inúmeras perguntas sobre tudo, sexo, masturbação, primeira vez, contraceptivos.
Eu levei aquilo tudo normalmente porque tenho um filho e sempre fui muito aberto nestes assuntos com ele. Sempre lhe expliquei tudo e ajudei em tudo o que ele deveria saber sobre o assunto.
Bastava a mãe se ausentar e ela voltava com as perguntas. Eu sentia que ela estava mais aberta comigo e me dava mais liberdade para exercer o papel de padrasto, mas sempre que ela puxava assunto era para falar de sexo ou algo relacionado.
Vi que, mais uma vez ela havia acessado pornografia no computador, na noite anterior. Ela havia novamente visto vídeos.
Fui para a academia pela manhã, num dia que não havia aulas. Cheguei em casa e notei que minha enteada ainda dormia. Fui tomar um banho, saí e vi que ela continuava na cama, fui desperta-la e na luta da preguiça ela se virou e eu comecei a brincar, beliscando, empurrando, puxando, até que me deitei na cama chamando por ela, era habitual fazer isto. Ficava mexendo com ela e chamando pelo nome, ela reclamando que queria dormir mais, eu puxei a coberta de cima dela e ela jogou o travesseiro sobre a cabeça. Ela estava de camisola e sua roupa interior ficou a mostra. Não consegui evitar os meus pensamentos. Eu perguntei porque ela continuava a ver os vídeos se sabia que tínhamos acesso aos sites que ela visitava. Ela só confirmou que gostava. Eu então me encostei contra ela. Ela não reagiu. Na minha cabeça eu apenas entendi que estava a ter uma aceitação para fazer aquilo, uma vez que ela não se manifestou contrária. Eu peguei na lateral da calcinha dela e perguntei se podia baixar e ela disse que sim. Eu baixei, tirei o meu membro e encostei contra o sexo dela, fiquei apenas esfregando como tinha visto no vídeo que ela assistiu e, na minha atitude mais grotesca e covarde eu segurei o meu sexo encostando contra o sexo dela e ejaculei.
Este ato se repetiu por mais umas 3 ou 4 vezes. Sempre da mesma forma. Eu ia acorda-la e me encostava a ela, me esfregava e covardemente ejaculava contra o seu sexo.
No momento em que tudo acontecia eu apenas entendia que tinha de suprir a minha necessidade do prazer.
Passava o dia todo a me remoer em culpas. Quando a minha esposa chegava do trabalho e tínhamos toda a nossa intimidade, eu me considerava um monstro.
Um dia em conversa com a minha enteada pedi-lhe perdão, expliquei que nunca deveria ter deixado aquilo acontecer, que a amava como se fosse minha filha e que amava muito a mãe dela e que não queria correr o risco de perde-las. Se alguém soubesse, além de perder o meu relacionamento, meu destino seria a prisão.
Ela concordou dizendo que sim, disse que tinha muita vontade de fazer aquilo, mas não era comigo e ficamos assim “acertados” eu continuei vivendo com minha culpa e aguardando um dia, para mais tarde conversar com ela e, quando maior, entender se ela realmente havia me perdoado.
Um ano depois ela a história foi parar ao conselho psicológico da escola e seguiu para o conselho tutelar.
A intenção de pormenorizar a rotina até o acontecimento fatídico não é a de expor os envolvidos. O que pretendo é apresentar um quotidiano comum, vivido por várias pessoas que podem manifestar o mesmo desvio de conduta afim de evitar o desencadear de um ato catastrófico que vai deixar rastos inimagináveis. Perdi a minha esposa a quem eu tanto amo, perdi a minha filha e destruí a minha família. Encontro-me afundado numa depressão, vivo em culpa e arrependimento. Estou frequentando um psiquiatra que me ajuda no tratamento da depressão e também optei pela castração química para me desvincular da dependência libitinosa.
Quero deixar a minha confissão para que outras pessoas que se vejam na mesma situação que eu, busquem ajuda. Não se deixem acreditar que conseguem controlar os impulsos. Eu sei porque tive oportunidades inúmeras com crianças da mesma idade, umas até mais desenvolvidas que a minha enteada, mas todas com a mesma faixa de idade (12-17 onde se enquadra a hebefilia). Nunca investi contra nenhuma delas. Nunca tive mais do que pensamentos furtivos e dúvidas, sempre relacionadas com sexo, mas a intimidade e a proximidade podem destravar o que há de pior em si.
Nunca forcei, nunca ameacei, nunca obriguei, não a penetrei e mesmo após ter acontecido, mantivemos um relacionamento muito bom e hoje, sofro com a possibilidade de lhe ter causado algum trauma. Peço a Deus para que ela supere, siga a vida e consiga vencer em tudo o que ela mais desejar, porém, a dor de ter magoado e perdido a minha esposa nunca será superado e é o fardo que escolhi levar até o meu último suspiro, aguardar o dia em que possa ser perdoado, se não for, a minha maior sentença será viver sem ela.
Não se deixe levar. Existem tratamentos que podem te ajudar a não agir.
Não seja mais um. NÃO SEJA EU!




Parabéns por sua coragem em contar esses fatos. Os impulsos sexuais são realmente fortes e infelizmente você se colocou numa situação de risco e não conseguiu puxar as rédeas em um momento crucial. O que aprendi desde criança é: Jamais fique a sós com alguém do sexo oposto nem em situações de apenas afeto carinhoso, por que as coisas podem tomar um rumo maior. Claro o conselho era para pessoas em idade sexual mas vale também para casos como o seu. Força meu caro tenha certeza que vou orar por você.
Caraca, que fita mano. Espero que todos os envolvidos nessa historia fiquem bem.