Eu confesso que doeu tanto já passar da infância direto para a adolescência. Agora mais essa, não estou pronta para ser adulta. Tenho medo de que quando este ano acabe eu me perca nos meus próprios sentimentos que eu não consiga superar tudo isso. Sou pressionada o tempo inteiro a escolher. Seguir para algum lado, a ser o que eles me dizem. Mas e dai, se sou criança? Não sei ainda crescer. Me sinto triste quando eu erro, e choro quando vejo uma injustiça . Sou assim do frio intenso ao fogo fervente. Tenho medo de dormir e não acordar, mas tenho mais medo de abrir os olhos de manhã. Crise adolescente? Pode ser. Tudo pode acontecer comigo. Essa minha transparência absurda não me liberta, me sufoca, prende todo o meu ar. Olha só que confusão? Nem no texto segui direito. Porque tenho que ser esse furacão, um mostro de quatro patas que está prestes a morrer de sono ao ver o corrimão criar asas e sair voando. Não, não sou normal. O que é ser normal já me perguntaram, e as palavras simplesmente fugiram para a orelha. Se pudesse colocaria um aviso na testa bem grande:" Cuidado posso destruir seu coração". Não ria, não é engraçado. Machuco todos a minha volta pela minha inconstância suprema. Se bem que não deixa de ter sua graça a frase acima citada.Quantos corações eu já parti? Não foram vários mas os que eu machuquei me culpo até hoje. Tocando no assunto me lembrei da solidão e como nós duas combinamos. " Pare de construir muros" é o que diz uma vozinha bem baixinha dentro de mim. Talvez eu nem saiba como eu faço, quanto menos como parar. O que importa é que estou assim… com medo de próprio medo, medo desse tal Amanhã que me aguarda, medo de me sentir abandonada, medo de jamais me encontrar.

