Eu confesso que já fique abismado com a casinha que olhei no final do bairro. Essas casinhas melancólicas e depressivas, que analisamos no final de uma ruela abandonada, estão entregue a solidão, ao abandono, ao silencio. Parece esconderijo de ladrões, abrigo de miseráveis. A casinha está caindo aos pedaços, o reboco da parede cai, as urtigas crescem no limiar da porta, o quintal é uma imundice. O sol escaldante esturrica o mato que cresce ao lado da casa. Parecia que uma tinta cinza com azul pálido derramava pelas casas, ruas e matos, deixando, na paisagem, uma letargia de final de Domingo. Ali tudo conspira para o mal. Na rua deixava transparecer, sobre diversas formas, o que ocorrera na noite passada, mostrando uma cumplicidade de provas que a paisagem denunciava. Ali, aparecia extratos de um rega bofe. Acolá, numa paisagem, apareciam vestígios de uma desonestidade trabalhada no silencio da noite. Às vezes passa por nossa cabeça que, se arrombássemos a porta de uma daquelas casinhas, encontraríamos uma corja de ladrões, sentados diante de uma mesa, arquitetando um grande roubo. Quem nunca pensou em levar o amante numa casa abandonada e se entregar aos prazeres carnais num lugar tão abandonado, tão erótico!

