Recentemente eu tenho fugido da realidade e passado cada vez mais tempo em meus devaneios. Sinto um grande desanimo com relação ao mundo e às pessoas. Não sei se a realidade não é boa o suficiente para mim e se ela é entediante ou se apenas eu que estou entediado. Entendo que possa ter várias coisas e pessoas boas aqui mas ainda não vi tal encanto. Tenho uma amiga que sinto que posso confiar e ser eu mesmo; também sei que muitos não têm tal sorte.
Penso muito na morte, mas sem a intenção de suicídio. Até a morte me soa como uma libertação; lá eu não terei preocupações, não haverá nada. Pensar que tudo isso vai acabar me conforta.
Fico pensando sobre o sentido da vida ao invés de "aproveitá-la", como dizem. Tinha uma percepção mais niilista sobre isso, porém, mais tarde comecei a pensar que o mais sensato seria procurar pela felicidade, mas só tenho uma noção de onde posso encontrar a minha: no amor. Encontrando alguma garota que eu possa amar e ser amado. Todas as outras coisas me parecem muito banais. Não me vejo desejando coisas usuais como faculdade, carro, poder, emprego estável… (ainda mais este último, no qual me vejo apenas como sendo usado durante 50 anos para enriquecer quem já é rico). Mas não tenho nada contra a quem as deseja.
Sou muito tímido e inseguro, o que é um certo problema para falar com as garotas. Também tenho uma mania de manipular as coisas pra enxergar apenas o que eu quero. Imagino que eu tenha que diminuir com os devaneios para superar isso. Mas não sei como fazer. Sei que os primeiros versos de "Tabacaria" e "Lisbon revisited (1926)" me definem relativamente bem. É muito confuso o que acontece comigo, nem sei analisar e explicar direito, mas de qualquer jeito, como eu disse, um dia tudo isso acaba. E como eu não quero muita coisa, o que vier é lucro.

