Desde criança que eu sinto atração pelo mesmo sexo, como também me sentia atraída pelo sexo oposto. No entanto, eu reprimia todos os meus desejos homossexuais. Sinceramente, quando criança e adolescente, eu nunca me imaginei tendo intimidades com meninas, mas elas me atraiam em beleza. Sempre. Acho que eu já transparecia ser lésbica desde criança, pois tinha umas coleguinhas da rua que uma vez quiseram beijar a minha boca, numa brincadeira em que me colocaram pra ser o mordomo. Uma delas então disse que o mordomo era bonito e tinha uma boca atraente e, portanto, queria beijar a boca do mordomo. A outra concordou e declarou que também queria beijar a boca do mordomo. Eu devia ter no máximo dez anos de idade e lembro de ter ficado feliz e até tentado jogar um pouco de charme a mais na minha figura masculinizada que a ocasião pedia, afinal, eu era um mordomo. Mas eu acabei negando os beijos que elas me ofereceram. Eu fiquei muito envergonhada e lembro-me de reprimir com veemência qualquer indício de que eu pudesse gostar de meninas. Mas tem um episódio de que bem me lembro, aos seis anos de idade, ainda na pré-escola, quando uma coleguinha e eu resolvemos nos beijar na boca por pura curiosidade. Acho que a ideia partiu da minha coleguinha, pois eu sempre fui muito tímida e temia apanhar em casa por qualquer comportamento que desapontasse os meus pais ou irmãos mais velhos. Era a hora do recreio e a menininha em questão perguntou se eu já havia beijado na boca alguma vez. Respondi que não. Então ela sugeriu que nos beijássemos para sabermos como era. Encostamos os nossos lábios para logo separarmos com algum nojo e limparmos nossas bocas com as costas das mãos. Se bem me lembro, a coleguinha ainda resmungou que beijar na boca era horrível e não entendia como as pessoas grandes tanto se beijavam na boca. Eu também achei nojento, frio, mole e molhado.
Quando comecei a namorar na adolescência só namorei o sexo oposto. Lembro-me de que sentia prazer em beijos e abraços e ficava chateada quando eles queriam “algo mais”. Eu me sentia suja e sentia nojo em imaginar que eles podiam se masturbar pensando em mim. Ainda sinto alguma admiração pelo sexo oposto, mas não me considero bissexual.
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