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Nunca fui correspondido, só houve sofrimento

Hoje acordei com vontade escrever sobre isso, embora eu saiba que quase ninguém tenha interesse de ler. Antes de mais nada, sou gay e tenho 23 anos. Resolvi omitir as minhas "paixões" por garotas porque foram numa época em que eu ainda não compreendia bem o que sentia, e hoje sei que era apenas admiração.

A minha primeira paixão foi durante 4ª série, mas o menino não era da minha turma. Era num grande e famoso colégio particular. Ele era o sobrinho da diretora do colégio e sempre estava por lá. Toda vez que o via, esquecia do mundo a minha volta e me preocupava apenas em observá-lo. Tanto que nem percebi que algumas pessoas reparavam. No final do ano, sai do colegio e esqueci.

A minha segunda paixão foi por um garoto do novo colégio. Ele era mais velho, acho que da 8ª série. Era muito bonito e super popular. Obviamente, eu era um grãozinho de areia perto dele, ainda mais eu sendo um garoto, e nunca me deu bola. Mas eu lembro das poucas vezes em que ele falou algo comigo, por acaso. No final do ano seguinte, ele saiu e eu segui com a vida.

E então, chegamos na paixão que aconteceu durante o ensino médio. Posso dizer que até hoje ele ainda me abala. O nome dele era Luís, ele era alto e magro, com a pele morena bem clara e cabelos e olhos pretos. Pra variar, era o mais bonito da minha turma. Apesar de hétero, ele tinha um jeito diferente, meio fofo de ser.

Diferente dos outros dois, a gente chegou a conversar no começo. Só que depois que fui me apaixonando, passei a ter vergonha e o evitava. Acho que ele e o resto da turma percebiam. Tanto que, depois de um tempo, senti que ele ficava meio sem graça na minha presença.

No 2º ano, ele começou a namorar com uma menina de outra turma e foi terrível. Me sentia muito mal ao ter que ver eles juntos diariamente. Nessa época, a gente já conversava ocasionalmente, embora eu sentisse ainda vergonha.

No ano seguinte, as coisas melhoraram e a gente já se falava mais naturalmente. Fazíamos estágio no mesmo lugar e conversávamos um pouco quase todo dia. Uma vez, ele ficou chateado comigo. Eu estava com um grupo fazendo trabalho e a namorada dele apareceu procurando ele e pediu pra avisá-lo. Mais tarde fomos embora e ele junto, mas eu acabei esquecendo de avisar.

Depois ele veio falar comigo por MSN, fiquei feliz na hora e supreso, mas era apenas pra perguntar do caso. Me desculpei e expliquei o que houve, mas acho que ele pensou que foi de propósito devido ao meu histórico com ele. Ele ficou um tempo sem falar direito comigo, mas passou e tudo voltou a ser como antes.

A gente se formou e eu achei que nunca mais nos veriamos, só que não. Pro meu azar, a namorada dele foi fazer o mesmo curso que eu. E ele também estudava na mesma faculdade. Ou seja, voltei a vê-los diariamente. Só que, alem de tudo, ele achava que eu tinha que ser amigo dela, pois ela ficava a maior parte do tempo sozinha. Isso porque sempre que ele me via, falava pra ela ir comigo.

Por dentro, eu pensava: era só o que me faltava. Já não bastava ter que aturar eles dois juntos desde o ensino médio, agora viraria babá da namorada dele. Na hora fiquei com raiva, mas depois resolvi ajudar por ele. Mesmo sabendo que não tinha o menor valor pra ele e isso não ia mudar, pensei que cuidar do amor de quem a gente ama também é amar.

E assim foi, até que desisti do curso por outros motivos e nunca mais os vi. A última notícia que tive foi que eles terminaram e ele já estava namorando outra.

O último foi mais recente e o conheci pela internet, na época do Orkut. Ele também era hétero e ambos só buscávamos amizade. De cara, tivemos muita afinidade e nossas conversas duravam o dia inteiro. Posso dizer que ele foi meu único amigo real.

Passamos cerca de dois anos tendo contato somente pela internet e cada vez ficávamos mais próximos. Até que surgiu a ideia de irmos ao cinema. A gente foi e foi bem bacana. Depois disso passamos a sair mais vezes. Ficamos tão próximos que ele compartilhava tudo sobre ele e, aos poucos, fui me sentindo mal por esconder que era gay.

Até que um dia resolvi contar. Ao contrário do que imaginava, ele aceitou de boa e isso até nos aproximou mais. A gente passou a conversar sobre isso, ele queria entender mais sobre. Tudo ocorreu tão bem que passou a ser normal eu falar de homens com ele.

Mais ou menos 3 anos após nos conhecermos, nós estávamos bebendo na casa dele e aconteceu algo inesperado. A gente ficou e por iniciativa dele. Perdi a virgindade e o bv nessa hora. Ele ficou meio confuso no começo, mas depois levou numa boa. Só que ele deixou claro que só tinha vontade de ficar, mas não sentia nada além de amizade por mim. Mas, pra mim, já era tarde. Estava apaixonado e completamente dependente dele. Nós ficamos mais algumas vezes, até que ele começou a namorar.

Isso me destruiu por dentro porque agora não seria mais só eu e ele, e aquela garota o teria de uma forma que eu não pude ter. Eu chorava o dia inteiro, não queria mais sair da cama. A gente passou a brigar mais que nunca. Porque, além de tudo, ele era muito ciumento e inseguro e não gostava de me ver com outras pessoas.

Até que um dia, resolvi que o melhor seria me afastar. Acho que foi a decisão mais difícil que já tomei até hoje. Entrei em depressão profunda por meses. Lembrava dele todo santo dia. Ele ainda me procura até hoje, mas eu o evito ao máximo. Não sei se o que fiz foi certo, mas me fez bem porque aprendi muito com tudo isso.

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Escrito por Anônimo

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