Eu demorei um tempo pra vir aqui porque não sei exatamente como começar o texto. É muita coisa ao mesmo tempo, tanto pra processar quanto pra escrever. A maioria eu ainda tô processando.
Tudo começou em setembro do ano passado quando um garoto me iludiu e eu fiquei péssimo, depois atingi a incrível marca de 100% dos amigos brigados comigo. Sempre brigamos normalmente, mas a última vez foi fatal. Rompemos todos — aliás, romperam comigo. Sim, já pedi desculpas, sim, eles aceitaram e não, não funcionou. Não servimos mais para uma amizade.
Todos os dias eu vou pra escola e falo raramente com alguém. Cheguei ao ponto de conversar com quem eu antes odiava. Perdi minha autoestima e qualquer coisa feliz (principalmente filmes e música) me deixa triste pelo fato de que eu não tenho nada daquilo, sabendo que a culpa foi toda minha desde o começo.
Eu tenho um fc no Twitter famosinho. Todos se aproximam de mim e querem um follow, uma mention, e tem aqueles que só me odeiam. Todos eles só se aproximam de mim por interesse. Não é real. E mesmo que eu tenha alguns amigos de verdade na internet, continua não sendo uma vida; eu quero uma vida de volta.
Eu sou orgulhoso e por isso sempre deixo bem claro nas raras conversas com os ex amigos que "estou muito bem, saindo com outras pessoas e 2016 é o ano", mas é mentira. Já desisti de tentar ressuscitar algo com eles, aposto que eles também. Eu fico repetindo pra mim mesmo que "escola são só 5 horas por dia, não muda em nada, têm os outros — que, com sorte são 2 pessoas —, você supera esse ano fácil", mas já se passaram 7 meses e eu fico cada vez mais atolado na merda.
E tem o peso de outras coisas: eu sou gay assumido numa família extremamente religiosa e tradicionalista, ex evangélico, sofro pressão todo dia da parte de todos. E eu escondo simplesmente porque eu tenho que esconder pra não criar mais um peso em meio aos vários outros. Eu tenho uns pensamentos suicidas às vezes, mas eu não quero me matar. Sei lá. Não sei. Queria que existisse algum lugar bem longe em silêncio que eu possa ir sozinho, sumir de tudo. Auto-mutilação me ajudou uma vez, mas eu não queria me viciar nisso e fiz de tudo pra parar: principalmente jogando todas as camisas de manga cumprida fora.
Só espero que esse ano acabe rápido.

