Okay. O meu “problema” é algo bem comum dentre os adolescentes. Gosto do meu professor. Nada trágico, mas algo que me aflige. Digamos que tiro notas boas, sento na frente, e pronto. O máximo ele fez foi olhar de canto para mim, porém, nada de diferente. Normal quando se é professor e tem sala com alunos, ele direciona o olhar para todos. Falar abertamente o que me chamou atenção nele, é complicado. Eu não sei se foi o jeito de homem, o cheiro de homem, o modo como articula, o jeito que escora um dos braços na lousa enquanto escreve, a maneira na qual ajusta o óculos, a inteligência, o sorriso, o modo desajeitado de lidar com fotos. A questão é: ele me cativou, de fato. Por mais que eu negue, eu definitivamente sinto algo por ele, mesmo que mínino. Se o colocarem na minha frente, ele agiria despojadamemte, enquanto eu tremeria até desmaiar. É só ele colocar o bendito pé dentro da bendita sala que meu estômago começa a ter convulsões, meu coração dispara, e minhas mãos suam. Entretanto, sou o tipo de aluna que nem fede, nem cheira. Mas tá ali.
Ele chama atenção de várias meninas, consequentemente, mais bonitas, mais inteligentes, mais engraçadas, mais maduras. Mais mulheres. Quando se tem uma fartura de mulher bonita atrás dele, não tem porque o próprio notar a esquisita. Ele me ignora mais que… Tudo. Provavelmente, a maioria dessas meninas sentem atração por ele, não que eu seja diferente, muitas pode pensar como eu. Porém eu queria conversar com ele, queria perguntar como fora o dia dele, queria abraçar, queria que, pelo menos uma vez, ele sorrisse pra mim. Apenas pra mim.
E, por mais que eu ria das ignoradas que ele dá em algumas garotas, eu sou idiretamente igual a elas. Por que eu sou qualquer uma na visão dele. Por mais que eu crie expectativas, não sou e nunca serei notável para ele. Por mais que eu sinta que não sou que nem a metade das que dão em cima dele, ele nunca vai saber, ele não se dá o trabalho de saber meu nome.
Geralmente, nunca me entrego a nenhum tipo de relacionamento. Só que por ele, estaria tentada a me entregar. Sem medo do “e se…”, se desse errado no final, teria a certeza que teriamos aprendido coisas mutuamente.
Nem tudo é como a gente quer, então, vou continuar fazendo cara de sono na aula dele, como se não me importasse piegas com que ele fala. Porque, eu sou boa nisso, em esconder emoções.
Mesmo que eu não queira que seja assim. Eu queria ser notada por ele, ao menos, uma vez.
Como faço?

