Eu confesso que vou fazer 20 anos e não me sinto com essa idade. Acho que sou madura em uma série de aspectos (me falam isso também), mas não evoluí socialmente, digamos assim. Tenho poucos amigos, quase não saio de casa, vou para a faculdade e não sei interagir direito, afinal, sempre foram os outros que começaram a falar comigo. Tampouco tenho iniciativa para isso, sinto-me ameaçada, de certa forma. Sou muito ansiosa e acredito seriamente que tenho outros problemas emocionais, faço uso de calmantes fitoterápicos, pois também acho que tenho uma tendência à hipocondria e prefiro não me arriscar nesse mundo dos medicamentos; não sou usuária de drogas ilícitas, não fumo, bebo raramente e só um pouquinho. Tenho pavor de pensar em perder a noção, o equilíbrio. "Nossa, como você é chata"… eu sei.
Estou muito "crua" para a vida, na verdade. Mesmo tendo poucos amigos, sei que são os melhores que posso ter… mas até isso me deixa insegura. Não importa o quanto falem, eu sinto que eles irão embora um dia, como tudo nessa vida, não é mesmo? Mesmo após anos… é difícil acreditar que estão comigo porque querem, porque vêm em mim o que eu não vejo. Acho que minha maior inimiga sou eu mesma, no final das contas. Particularmente, não acho que o X do problema está em ser mais introvertida, mas o fato é que já faz um tempo que nem as coisas que eu gostava me agradam mais, por mim hibernaria ainda hoje. Minha própria mãe diz que eu só sei reclamar e pareço uma velha… Os momentos de empolgação que tenho são "lampejos", eu não consigo prolongá-los. Fico cansada quando estou na presença de muita gente, é coisa demais para assimilar, sei lá.
Não acredito quando as pessoas me elogiam (e não é pouco, mas também não quero fazer parecer que estou me gabando). Sinto-me idiota por tirar notas altas, por exemplo, embora todos vejam isso como uma grande conquista. Sempre enxergo más intenções quando fazem um comentário positivo sobre a minha aparência ou maneiras. Acho que tenho um pouco de medo de relacionamentos. Nunca estive com ninguém, a nível amoroso. E isso não me incomoda exatamente, é mais por não me sentir "normal", seguir mais um padrão que vejo por aí. Eu imagino que o amor não completa ninguém, quando você não está bem consigo mesma… e talvez eu seja muito crítica, achando que tudo anda muito superficial. Isso também não quer dizer que eu seja uma pessoa "tradicional", longe disso, sou a primeira a levantar bandeiras contra. Nem vejo relação nenhuma do meu "problema" todo com a religião – eu já resolvi essa questão há muito tempo. Seriamente, já ponderei muitas vezes sobre ser assexual. É difícil alguém me cativar, independente do gênero, mas quando isso acontece, é mais como uma admiração, não aquele interesse romântico, posso até pensar que aquela pessoa é o máximo, que deve ser incrível passar algum tempo com ela, mas não me imagino fazendo isso. São pessoas que logo penso "areia demais para o meu caminhãozinho", não importa o quanto isso soe ridículo. Queria ter mais confiança, minha autoestima não é boa, devido às questões que passei na infância e adolescência, e que não são difíceis de adivinhar… Sinto-me estranha por abraçar meus sentimentos negativos, como se fosse suficiente para que fossem embora, mas eles sempre voltam, infelizmente.
Juro que não me faço de "coitadinha", só chega um ponto que as coisas transbordam. E nesse momento, escrevo aqui porque me falta coragem, porque também não me sinto à vontade de admitir isso para ninguém, nem para mim mesma. Sinto-me idiota NOVAMENTE, porque isso parece muito infantil, mas é claro que não penso assim. Escrever liberta a alma, e realmente me sinto mais leve agora. Talvez eu receba muitas críticas e comentários desagradáveis, talvez só a indiferença (mais provável), mas é como se eu estivesse escrevendo para mim mesma também, então acho que posso lidar com isso. Talvez eu até atinja alguém que me entenda, quem sabe? Quem sabe eu consiga fazer com que outras pessoas se sintam abraçadas, mesmo virtualmente… sabe, a empatia está em falta nesse mundo. "O mundo é um moinho".

