Eu confesso que desenvolvi uma obsessão por meu irmão de consideração e também um lado emotivo que até pouco tempo atrás eu não tinha. É tipo assim, esse ano, eu fiz uma conta no Facebook por influência de amigos da escola. Eu num tinha interesse em fazer, mas como as férias de meio de ano estavam chegando e meus amigos não queriam perder contato, eu me rendi e fiz pra poder falar com eles. Até aí tudo bem, mas também esse ano, conforme eu estou crescendo, e completei 17 anos, eu mudei um pouco. Virei roqueiro, gosto de cultura oriental, sou Otaku, adoro usar preto, braceletes com fivelas, espinhos, cruzes metálicas e sempre fui conhecido como brincalhão entre meus amigos, aquele que faz todos rirem, aquele não está triste nunca.
Mas apesar disso, eu também sou da igreja, acredito muito no poder DEUS, e sei que meus prazeres não estão no lugar mais correto pra alguém que quer servir a Ele. E vendo isso dessa forma, meus amigos da escola, que antes se importavam tanto comigo e estavam sempre brincando (o que ainda fazem atualmente, mas não é a mesma coisa que antes), começaram a me questionar. Eu não faço nada demais, apenas comecei a me vestir diferente, por causa desse estilo de rock que eu gosto. Mas eles ficam jogando piadinhas, dizem que fico com cara de maluco, e quando estou com alguma roupa ou acessório diferente eles descaradamente riem de mim. E depois vêm falar comigo normalmente quando estamos de volta à escola, onde só posso usar o uniforme mesmo. Eu vejo isso como uma grande falsidade, pois eles me tratam bem no colégio, e fora dele, não me tratam da mesma forma, e não aceitam o jeito que eu sou.
Quando isso começou a acontecer, eu comecei a dar mais atenção pra conta no Facebook que eles tinham me obrigado a fazer antes de eu ter virado roqueiro e Otaku (ou seja, na época que eles ainda não me conheciam o suficiente pra me chamar de amigo, antes de me “largarem”, vamos dizer assim). Fiz muitas amizades virtuais, com pessoas que gostavam das mesmas coisas que eu, e isso me deixou confortável por muito tempo. O tempo foi passando, e quando chegou em julho desse ano, eu fiz amizade com um garoto 1 ano mais novo que eu. Nós conversávamos pouco no começo, ele era muito simpático, até me chamou pra fazer parte da page de animes que ele fundou, o que eu aceitei prontamente. Até que teve um dia que ele disse aos ADMs que não ia postar por um tempo porque estava muito triste com um problema pessoal. E como nós já éramos muito amigos eu cheguei nele pelo chat pra perguntar o que estava acontecendo. E aí ele mostrou pra mim como realmente estava. Aquele jeito bobo e simpático, exatamente como EU ERA COM MEUS AMIGOS DA ESCOLA antes de tudo começar, simplesmente desapareceu, caiu no chão e se quebrou como se fosse uma máscara. Ele estava muito triste, abatido, desolado, precisando mais do que nunca de alguém pra desabafar. Eu comecei a ter conversas que duravam o dia todo com ele, e tínhamos tanto em comum que parecíamos até irmãos. Daí eu pedi isso a ele, se nós não podíamos ser irmãos de consideração. E ele aceitou. Acho que foi a primeira vez que fiquei realmente feliz na vida. Tudo antes disso era apenas satisfação ou indiferença. Com minha mente de criança e com problemas pequenos por toda a vida, eu nunca tive um amigo assim sabem, que eu tivesse como irmão, que eu AMASSE de verdade como se fosse sangue do meu sangue. E quando ele aceitou que formássemos esse laço eu fiquei tão feliz que chorei. Não tenho medo de dizer “Eu te amo” pra ele. Ele sabe que é de uma maneira fraternal que nutro esses sentimentos, pois somos ambos heterossexuais. Depois de um tempo, ele me contou sobre todos os problemas dele. Como ele não tinha nenhum amigo perto dele na vida real, como eu havia tomado um espaço no coração dele como irmão, e como confiávamos nossas vidas um ao outro. Os problemas que ele tinha com a garota que ele amava, tudo de ruim que acontecia com ele no dia a dia, como ele tinha depressão, a má impressão de que seus pais não o amavam de verdade, a dificuldade na escola, e acima de tudo, a vontade enorme de nos encontrarmos pessoalmente para uma conversa melhor. Eu escutava tudo que ele tinha a dizer, todos os seus desabafos, e lembrando que ainda frequento igreja até hoje mesmo sendo roqueiro, eu dava conselhos a ele, e pesquisava na Bíblia textos onde podíamos refletir juntos. Criamos intimidade o suficiente para começar a conversar pela webcam. E conforme o tempo foi passando eu percebi foi Deus que tinha colocado ele na minha vida. Nossa amizade era muito especial pra ser algo comum que nem os outros jovens têm. Daí marcamos de nos encontrar pessoalmente em um evento de anime. Tudo correu esplendorosamente bem. Conversamos muito, nos divertimos o dia todo o foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Atualmente, faz 6 meses que nos conhecemos. Mas minha amizade com ele é mais especial do que a que tenho com meus amigos da escola, que já conheço há 3 anos. Até hoje ele ainda tem muitos problemas, ele sente solidão, um vazio, essa garota que ele ama também tem muitos problemas familiares e ainda mora muito longe dele, ele chegou a ficar bem pior com seus problemas, começou a fumar, beber, se mutilar… E isso me deixou desesperado. Eu falava com ele na webcam morrendo de pânico, com medo dele fazer alguma besteira, com medo de perdê-lo… Oro por ele todos os dias, todas as vezes que conversamos recebo ele muito bem, como aquela pessoa que não vemos há tempos, queria estar sempre ao lado dele, como um irmão de verdade, e estou sempre muito preocupado pensando se ele está realmente bem. Choro muito fácil se ver que ele está triste e sinto que isso já está se tornando uma grande obsessão. Como ele também mora longe de mim, eu teria que viajar de carro com minha irmã de sangue de verdade por umas estradas para poder-lhe fazer uma visita, mas isso só poderei durante o período de férias de fim de ano. Daí eu fiz de TUDO para que meus pais vissem que eu merecia viajar pra poder falar com ele. Estudei intensamente para todas provas, para poder passar direto e aproveitar 100% do tempo das férias, me tornei mais assíduo como representante de turma, ajudei minha família, TUDO PENSANDO NELE… Eu acho que ele foi o melhor amigo que Deus me deu na vida, não canso de declarar isso, e quero muito o bem dele, mas isso já está começando a se tornar assustador pra alguns dos amigos de escola que ainda tenho contato e também a minha irmã de sangue que me ajuda a lidar com ele e escuta meus desabafos. Todos começam a dizer que eu estou obcecado demais e eu não sei o que fazer pra continuar ajudando ele sem passar essa impressão… Sem ficar me sentindo fraco e vazio quando não consigo alegrar ele… O que eu faço, além de orar todas as madrugadas e sempre oferecer um ombro amigo, pra ver ele se curar? Se libertar dos vícios e achar a felicidade? Eu o amo, quero muito ver ele bem e realmente feliz!! Afinal de contas, ele é o irmão que eu nunca tive.

