Eu confesso que… Tenho horror a minha mãe; acho que isso foi desde sempre. Tenho a certeza de que ela nunca me amou, a mim ou, aos meus irmãos. Senão vejamos, depois da separação de meu pai. botou fogo na casa, comigo dentro é claro. Sem sucesso, graças ao bom Deus. Meu pai foi embora de vez, saiu de casa deixando tudo para ela, ele levou apenas as suas roupas, minha genitora trocou nossa casa por um barraco, sempre teve preguiça de fazer os serviços domésticos, ai, começou, xingamentos, já na mais tenra idade ela me deixava trancada dentro do barraco, sem água, comida, luz nada, meu pai tentou retomar o casamento, ela engravidou novamente, depois de um tempo não deu certo, papai foi-se embora mais uma vez. Ai, sim, eu e meu irmão passamos a conhecer o inferno! O que já era ruim ficou pior, com ela viciada em maconha, cocaína, conhaque e afins, nossa vida virou uma desgraça só, ela saia de casa por semanas, nos deixando trancados, sem comida ou água, meu irmão por ser um bebezinho muitas vezes tive que dar a ele mamadeira com mingau podre! Sendo eu uma criança não sabia que o mingau estava estragado. Comi muito arroz podre, que ficava na panela era o que tinha, era o que ela deixava,, água somente a que ficava numa leta de vinte livros completamente enferrujada e, quente, tínhamos que beber, era a única, com o passar do tempo a coisa só fez piorar. Com os xingamentos e as humilhações, em cima de mim, foram terríveis, sempre senti que me era cobrado algo, sem saber o que… Entre idas e vindas, sobrevivi, sobrevivemos, ela teve mais TRÊS filhos um de cada homem que arrumou. Todos foram abandonados por ela também! Mas o grande foco na vida dela, é e sempre foi eu. Embora minha infância tenha sido uma merda, durante um bom tempo, eu ainda conseguia sentir afeto por ela, mas ela não mudava, e os castigos físicos só aumentavam, me batia com qualquer objeto que encontrasse pela frente, muitas noites, quando ela estava no barraco, me olhava se levantava do sofá fedido e dizia — sai da minha casa agora! Sai, vai pra vida, vai pro mundo, se vira! — isso eu tinha apenas sete, oito anos, as vezes eu pedia abrigo na casa vizinha, mas sempre com vergonha, dormia na casinha da minha cadela que ficava atrás do barraco, uma manhã ela descobriu aonde eu passava as noites e, num gesto de maldade pura, BOTOU FOGO NA CASA DA CADELA. A partir desde momento fiquei sem entender o porque de tanta ruindade comigo, sendo apenas uma criança. M e pegou pelo pescoço várias vezes, quase me matou, mas o pior de tudo mesmo, era a fome, que passamos, ela nos deixava trancados por semanas, sem comida e água, e quando voltava da rua, nos batia tanto, mas tanto que por fim, não tínhamos nem forças para gritarmos. O tempo passou, quando eu tinha treze anos ela saiu e quando voltou, para dizer que tinha arrumado um trabalho para mim, sim, eu iria trabalhar, numa casa de família, aonde eu teria, casa, comida, restos de roupas, e escola, o melhor vem agora, MINHA GENITORA É QUEM IRIA RECEBER O SALÁRIO EM MEU LUGAR. Fiquei nesta vida por quatro anos, eu trabalhando ela recebendo e parindo. durante esse tempo ela nunca foi saber como eu estava, passava no lugar apenas para receber o salário. Uma vez me revoltei, mas sem saber o que fazer, voltei para casa, aonde encontrei dois irmão, vivendo nas mesmas condições em eu vivia, nesta época, meu irmão estava morando com nosso pai. com pena de meus meios irmãos, acabei ficando, ela cada vez mais perturbada, alterada e cruel, entrei numa escola, trabalhei em sub empregos, ela pariu novamente, nesta altura, ainda vivia as minhas custas, uma noite ela resolveu me bater, não deixei, segurei as mãos dela, botei-a sentada no sofá e sai. ela sempre cercada de maconheiros, e todo tipo de drogados, acabou por deixar todos os filhos nas minhas mãos, com 17 anos tive meu primeiro filho, sai da escola, passei a trabalhar direito, cuidando do meu filho e dos meus três irmãos menores, a criatura que me pariu me suga por todos os lados, usa minhas roupas, come as minhas custas, me rouba, vende minhas coisas, me xinga, vive me atirando pragas, são coisas terríveis as que ela me diz. Enche o barraco fétido de drogados, amigos dela. livrei meus irmãos de muito sofrimento, mas quem me livra? Quando eu tinha 19 anos, ela foi embora, mas é claro, largou todos os filhos comigo, amei, cuidei, dei á eles, meus irmãos tudo o que pude, o irmão que sofreu tudo junto comigo, morreu aos 32 anos, dos três mais novos, um está na cadeia, um está sacado, a outra mora aqui, perto de mim, apenar de tudo isso, a criatura que me pariu nunca deixou de falar comigo e, mesmo assim, até o meus 29 anos, eu mandava dinheiro para ela. Meu que sempre me ajudou, morreu em 99, falei com ela a respeito, ela me disse — seu pai, morreu porque quis, de ótário que ele é.— nunca mais falei com ela, mudei de trabalho, e quando meus irmãos já estavam criados, mudei de cidade, criei meu primeiro filho com muito amor e carinho, sou apaixonada por ele, me casei tenho uma filha de 07 anos, a quem sou totalmente amorosa, e amada também. Hoje, tenho 42 anos, a criatura que me pariu 62, vive numa cidade de minas gerais, outro dia ela conseguiu me localizar. Pronto, meu inferno começou! O que ela quer? DINHEIRO! É somente no que ela fala, não perguntou por nenhum dos filhos, pelos netos, são três, fala comigo que se eu fosse algo a ser usado, não fiquei com nada dela, casa, barraco, nada, ela não me deixa em paz, quer dinheiro de todo jeito, pra dizer a verdade eu não á odeio, na verdade, eu não sinto nada por ela, ela que sempre, desde que eu era criança me mandava cuidar da minha vida, agora, não consegue cuidar da dela, ela diz que quer dinheiro para alugar uma casa para ela e o marido dela, vai vendo! Não quero que morra ou, sofra, eu quero que ela cuide da vida dela, quero que ela viva a vida dela e me deixe viver a minha. Apenas isso, é só isso, meus irmãos a detestam, não os culpo, ela não nos criou, e no pouco tempo que passamos ao lado dela, passamos por tudo de ruim, ela nos infringiu dor e tristeza, não somos felizes e sabemos que a culpa de nossa tristeza é la.
hoje meu desamor por ela é total, não há lei que me fará, pagar, dar amor ou, atenção a ela, nesta altura de minha vida.

