Eu confesso que odeio morar com os meus pais!!! Eu tento não ser ingrata em relação a isso, mas eu simplesmente odeio. E nem é por grande coisa, eu sei que pessoas passam reais dificuldades com a familia, mas o que eu sinto com os meus pais vai além de mim. Eu tenho vontade de matar eles o tempo todo, as vezes fantasio de esfaquear eles, não que eu va fazer, mas eu gostaria. É um tipo de raiva acumulada por anos, o modo como eles preferem não ter respeito por mim e fazer de mim algo inferior que existe no mundo, só porque eu sou menor de idade, como se num passe de magica eu fosse fazer 18 anos e virar digna de ser ouvida. Eu tento canalizar tudo que eu tenho pro lado positivo e não me tornar agressiva, mas eles sempre despertam isso em mim. O tempo todo. Eu odeio a risada deles, a voz, as músicas todo maldito dia, odeio as piadas, os programas de televisão, as reclamações, o rosto deles. Por vezes penso em me prostituir só pra ter dinheiro e sair daqui, mas eu sei que são apenas coisas que eu fantasio pra aliviar o ódio e não reais planos. Também odeio meu namorado, a dependência emocional que ele cria sobre mim, o modo exibido como ele demonstra a liberdade que tem, odeio estar com ele porque as pessoas sempre presumem que eu deveria estar com ela, que eu sou desesperada e preciso de um homem na minha vida. Sempre presumem que por ter um utero eu deva parir crias de filhos endemoniados. Tenho vontade de matar a todos, o tempo todo. De me matar também, a todo momento em que eu sou obrigada a sair com a familia e ficar ouvindo todos os infelizes com as suas vidas infelizes de donas de casa que brigam por quem fez a melhor comida e maridos que peidam e arrotaram e falar sobre pornografias. Ah, também sou uma infeliz colecionadora de porno que por não ter a opção social de dar pra quantas homens eu quiser me trancafio no quarto a ter orgasmos do único jeito que posso, comigo mesma. E assim se encerra meu texto natalino, nessa porra de vida.

