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Outra paixão platônica

Eu confesso que isso não deveria acontecer comigo, mas me apaixonei por alguém que nunca verei pessoalmente. Como eu te odeio, espaço-tempo! Por que você tem de ser tão fixo e imutável, dono de toda a verdade e todo o destino das pessoas?

Estou sofrendo um bocado. Não só pelo fato de que sei que nunca poderei abraçá-lo, encostar sua cabeça em meu colo e revirar aqueles lindos fios de cabelos negros… é o que isso representa para o meu ego. Acreditava que nunca ia me apaixonar, ria dos que amavam, pensando que eram “fracotes emocionais”. Dizia-me imune a este tipo de coisa.

E os pensamentos correm, fixam no rosto dele… como ele ri das minhas piadas infames, abaixando a cabeça e colocando a mão sobre a testa. Como ele canta bem, como ele é lindo, como ele é doce! E agora sinto-me tão mal. Culpo-o, digo pra mim mesma “ele não pode fazer isso”. Ele não tem esse direito. Ou o processo evolutivo foi muito mau comigo – eu não deveria me sentir assim!

Sou uma perdedora, ex-autossuficiente.

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Escrito por Anônimo

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Caminho olhando para trás

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