Eu confesso que Provavelmente nunca houve uma só
geração desde o Paleolítico que não deplorasse a futilidade da seguinte e não venerasse uma
memória dourada do passado. As infindáveis lamentações modernas sobre como os textos e os
e-mails estão reduzindo o tempo de atenção voltam a Platão, que deplorava a escrita como
destruidora da memorização.29 Os jovens de hoje são superficiais, egoístas, mimados,
selvagens inúteis cheios de desmedido narcisismo e treinados para ter períodos curtos de
atenção, diz um analista. Gastam muito tempo no ciberespaço, diz outro, onde sua massa
cinzenta está sendo “escaldada e desfolhada por uma espécie de Agente Laranja cognitivo, que
os está privando de função moral, imaginação e consciência das consequências”.30 Lengalenga.
Naturalmente, há idiotas e estrambóticos em toda geração, mas os jovens de hoje são
voluntários em obras de caridade, fundam companhias, cuidam dos pais, vão trabalhar —
exatamente como qualquer outra geração, talvez um pouco mais. Na maior parte das vezes,
quando ficam olhando fixamente para telas (de computador), é para afundar num desmedido
relacionamento social. O jogo Sims 2, que vendeu mais de um milhão de cópias em dez dias
quando foi lançado em 2004, é um jogo em que os jogadores — frequentemente garotas —
levam pessoas virtuais a viver vidas complexas, realistas e altamente sociáveis e depois
conversam sobre isso com os amigos. Nada muito escaldante, nem desfolhante ali. O
psicanalista Adam Phillips acredita que, “para um número crescente de britânicos e norteamericanos,
a ‘cultura da empresa’ significa uma vida de trabalho extenuante, ansiedade e
isolamento.31 A competição reina suprema, até crianças pequenas são obrigadas a competir
umas contra as outras e caem doentes em resultado”. Tenho novidades para ele: crianças
pequenas eram mais exploradas e caíam muito mais doentes no passado industrial, feudal,
agrário, neolítico ou caçador-coletor que no presente, do livre mercado.

