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Pensei Que Esquecer Fosse Mais Fácil

Eu confesso que um veterano meu da universidade mexe demais comigo. Desde que o conheci, tive uma queda por ele.

     A capacidade do ser humano de fazer amigos quando está bêbado é incrível, né? Nos conhecemos sob o efeito de vários shots de vodka, e mesmo com as percepções não tão aguçadas pude notar que, além de um físico forte, ele era dotado de uma inteligência e de um conhecimento, no mínimo, admiráveis para alguém tão jovem. Apreciei cada argumento seguramente embasado, cada frase bem colocada. Não podia dar em outra: me despedi já com saudades.

     A vida seguiu. Nos encontrávamos vez por outra pelo campus e ele sempre me abraçava. Me pergunto se é do seu feitio ser assim, carinhoso, com todos. Enfim! Veio a greve e eu imaginei que depois de tanto tempo sem o ver eu já tivesse superado essa paixonite adolescente. Eis que voltam as aulas.
  
     O vi no primeiro dia de aula pós-greve, mas foi de longe, ele nem me viu, estava de costas. Há um tempo não o encontrava pelos corredores, mas ontem, quando me dirigia à sala, o avistei caminhando em minha direção. Ele  estava entretido conversando com alguém, nem havia ainda me notado. Eu decidi que só iria acenar e seguir em frente. Eis que seus olhos me alcançam. Enquanto eu ria e levantava a mão direita para cumprir com o que havia combinado comigo mesma, ele estende os braços, num convite a um abraço. Toquei seu corpo depois de tanto tempo. Ahh! Eu poderia ficar séculos contornando aquele tronco. Desejei que o mundo parasse. Ele – claro! – não parou, isso sobrou para a minha respiração. Contra a minha vontade, tratei de me desvencilhar daqueles braços fortes. O sorriso de orelha à orelha tive que disfarçar para as amigas que me acompanhavam. Passei a aula toda pensando. Voltei para casa, vomitei tudo no teclado e agora me preparo para mais um ciclo de "esquecimento".

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Escrito por Anônimo

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razoável

Paixonite no trabalho